{"id":337020,"date":"2018-12-13T01:00:00","date_gmt":"2018-12-13T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/dapagliflozin-reduz-a-taxa-de-hospitalizacao-na-insuficiencia-cardiaca\/"},"modified":"2018-12-13T01:00:00","modified_gmt":"2018-12-13T00:00:00","slug":"dapagliflozin-reduz-a-taxa-de-hospitalizacao-na-insuficiencia-cardiaca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/dapagliflozin-reduz-a-taxa-de-hospitalizacao-na-insuficiencia-cardiaca\/","title":{"rendered":"Dapagliflozin reduz a taxa de hospitaliza\u00e7\u00e3o na insufici\u00eancia card\u00edaca"},"content":{"rendered":"<p><strong>A diabetes est\u00e1 associada a um risco cardiovascular acrescido, que deve ser tido em conta de forma terap\u00eautica. Em 2015, o estudo EMPA-REG OUTCOME demonstrou efeitos cardiovasculares positivos do empagliflozin inibidor SGLT-2. Agora est\u00e3o dispon\u00edveis os resultados do maior estudo cardiovascular realizado at\u00e9 \u00e0 data neste campo: O DECLARE-TIMI 58 investigou a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia do dapagliflozin.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Estima-se que 451 milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo sofrem de diabetes. At\u00e9 2045, prev\u00ea-se que este n\u00famero seja de cerca de 690 milh\u00f5es [1]. Esta tend\u00eancia tamb\u00e9m se aplica \u00e0 Su\u00ed\u00e7a, cuja preval\u00eancia da diabetes se situa na faixa m\u00e9dia numa compara\u00e7\u00e3o global <strong>(Fig.&nbsp;1)<\/strong>. Os pacientes com diabetes t\u00eam um risco acrescido de desfecho adverso de doen\u00e7a cardiovascular ateroscler\u00f3tica, insufici\u00eancia card\u00edaca e doen\u00e7a renal. Por conseguinte, as medidas terap\u00eauticas devem n\u00e3o s\u00f3 abordar a diabetes, mas tamb\u00e9m reduzir o risco cardiovascular. Neste contexto, os inibidores SGLT-2 surgiram como uma nova classe promissora de agentes antidiab\u00e9ticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-11155\" alt=\"\" src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/abb1_cv6_s35.png\" style=\"height:220px; width:600px\" width=\"1100\" height=\"403\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"o-maior-estudo-de-resultados-ate-a-data-sobre-os-inibidores-sglt-2\">O maior estudo de resultados at\u00e9 \u00e0 data sobre os inibidores SGLT-2<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s EMPA-REG OUTCOME (empagliflozin, Boehringer Ingelheim) [2] e CANVAS\/CANVAS-R (canagliflozin, Janssen) [3], os resultados do maior estudo at\u00e9 \u00e0 data no campo dos inibidores SGLT-2 est\u00e3o agora dispon\u00edveis: DECLARE-TIMI 58 (&#8220;Dapagliflozin Effect on Cardiocasvular Events &#8211; Thrombolysis in Myocardial Infarction 58&#8221;) \u00e9 um ensaio aleat\u00f3rio, duplo-cego, fase III controlado por placebo, realizado em 882 locais em 33 pa\u00edses [4]. O objectivo do estudo, que foi financiado pela AstraZeneca, era demonstrar a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia do dapagliflozin.<\/p>\n<p>O estudo incluiu 17.160 pacientes com diabetes tipo 2 com perfis de risco cardiovascular. Destes, quase 10.200 ainda n\u00e3o sofriam de doen\u00e7as cardiovasculares. Os participantes no estudo receberam 10&nbsp;mg de dapagliflozina versus placebo diariamente, para al\u00e9m da terapia padr\u00e3o &#8211; isto durante um per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o de 4,2 anos.<br \/>\nO principal par\u00e2metro de seguran\u00e7a foi os grandes eventos card\u00edacos adversos (MACE), definidos como morte card\u00edaca, enfarte do mioc\u00e1rdio ou AVC isqu\u00e9mico. Os principais pontos finais de efic\u00e1cia foram MACE, morte card\u00edaca e hospitaliza\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia card\u00edaca. Os par\u00e2metros de efic\u00e1cia secund\u00e1rios definidos foram morte por qualquer causa e eventos renais (diminui\u00e7\u00e3o do eGFR por&nbsp;% para &lt;60 ml\/min por 1,73&nbsp;m2 de superf\u00edcie corporal; doen\u00e7a renal em fase terminal rec\u00e9m-estabelecida; morte por causa renal ou cardiovascular).<\/p>\n<h2 id=\"efeitos-positivos-na-insuficiencia-cardiaca-e-doenca-renal\">Efeitos positivos na insufici\u00eancia card\u00edaca e doen\u00e7a renal<\/h2>\n<p>Foi demonstrado que o Dapagliflozin n\u00e3o \u00e9 inferior ao grupo de controlo de placebo no que diz respeito ao par\u00e2metro de seguran\u00e7a prim\u00e1rio (MACE). N\u00e3o houve significado na redu\u00e7\u00e3o de MACE, embora houvesse uma fraca tend\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o de doentes com doen\u00e7as cardiovasculares existentes. No entanto, em compara\u00e7\u00e3o com o grupo placebo, o tratamento com dapagliflozina reduziu significativamente a incid\u00eancia de morte cardiovascular e hospitaliza\u00e7\u00e3o por insufici\u00eancia card\u00edaca. DECLARE-TIMI 58 confirma assim os resultados da EMPA-REG OUTCOME. No entanto, este \u00faltimo estudo causou uma agita\u00e7\u00e3o em 2015 ao mostrar adicionalmente um efeito positivo da empagliflozina na mortalidade por todas as causas.<\/p>\n<p>No entanto, Stephen Wiviott, MD, investigador co-principal do Brigham and Women&#8217;s Hospital e da Harvard Medical School, salientou que a popula\u00e7\u00e3o de doentes DECLARE-TIMI 58 \u00e9 diferente dos estudos anteriores neste campo. Por um lado, EMPA-REG OUTCOME e CANVAS\/CANVAS-R examinaram menos pacientes com um seguimento mais curto (7000 e 10.000 durante tr\u00eas anos e 188 semanas, respectivamente). Por outro lado, o DECLARE-TIMI inclui 58 pacientes predominantemente &#8220;mais saud\u00e1veis&#8221; sem doen\u00e7a cardiovascular pr\u00e9-existente. Para esta popula\u00e7\u00e3o, tem havido uma falta de dados de estudo correspondentes que confirmem a efic\u00e1cia dos inibidores SGLT-2.<br \/>\nDe acordo com os resultados do estudo, a dapagliflozina \u00e9 tamb\u00e9m eficaz em doen\u00e7as renais. Embora isto tenha sido suspeito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 canagliflozina no CANVAS\/CANVAS-R, os participantes no estudo DECLARE-TIMI 58 mostraram taxas mais baixas de progress\u00e3o da doen\u00e7a renal &#8211; independentemente da presen\u00e7a de doen\u00e7a cardiovascular ateroscler\u00f3tica, insufici\u00eancia card\u00edaca ou doen\u00e7a renal cr\u00f3nica na linha de base <strong>(Tabela&nbsp;1)<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11156 lazyload\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/tab1_cv6_s35.png\" style=\"--smush-placeholder-width: 1100px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1100\/538;height:293px; width:600px\" width=\"1100\" height=\"538\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"e-quanto-aos-efeitos-secundarios\">E quanto aos efeitos secund\u00e1rios?<\/h2>\n<p>V\u00e1rios estudos com inibidores SGLT-2 referem por vezes um risco acrescido de amputa\u00e7\u00f5es, cetoacidose diab\u00e9tica, acidente vascular cerebral ou fracturas \u00f3sseas, embora por vezes n\u00e3o existam dados fi\u00e1veis aqui [2,3,5,6].<\/p>\n<p>Embora tivessem ocorrido casos de cancro da bexiga em ensaios anteriores, de menor dimens\u00e3o de dapagliflozina, foram observadas taxas mais baixas no DECLARE-TIMI 58. Em contraste, a cetoacidose diab\u00e9tica ocorreu mais frequentemente ap\u00f3s a utiliza\u00e7\u00e3o de dapagliflozina em compara\u00e7\u00e3o com o grupo de controlo de placebo. As taxas de infec\u00e7\u00f5es genitais tamb\u00e9m foram elevadas. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gangrena de Fournier, n\u00e3o houve diferen\u00e7as em compara\u00e7\u00e3o com o tratamento com placebo.<\/p>\n<p>Em geral, tal como nos ensaios de empagliflozina e canagliflozina, houve efeitos mais fortes na preven\u00e7\u00e3o da insufici\u00eancia card\u00edaca e no resultado da doen\u00e7a renal do que na incid\u00eancia de eventos cardiovasculares ateroscler\u00f3ticos. Esta descoberta \u00e9 consistente com o mecanismo de ac\u00e7\u00e3o dos inibidores SGLT-2.<\/p>\n<p><em>Fonte: Sess\u00f5es cient\u00edficas da American Heart Association (AHA), 10-12 de Novembro de 2018, Chicago (EUA)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Cho NH, et al: IDF Diabetes Atlas: Estimativas globais da preval\u00eancia da diabetes para 2017 e projec\u00e7\u00f5es para 2045. Diabetes Res Clin Pract 2018; 138: 271-281.<\/li>\n<li>Zinman B, et al: Empagliflozin, Cardiovascular Outcomes, and Mortality in Type 2 Diabetes. N Engl J Med 2015; 373 (22): 2117-2128.<\/li>\n<li>Neal B, et al: Canagliflozin e Eventos Cardiovasculares e Renais na Diabetes Tipo 2. N Engl J Med 2017; 377(7): 644-657.<\/li>\n<li>Wiviott SD, et al: Dapagliflozin e Resultados Cardiovasculares na Diabetes Tipo 2. N Engl J Med 2018; doi: 10.1056\/NEJMoa1812389 [Epub ahead of print].<\/li>\n<li>Garg SK, et al: Strategy for Mitigating DKA Risk in Patients with Type 1 Diabetes on Adjunctive Treatment with SGLT Inhibitors: A STICH Protocol. Diabetes Technol Ther 2018; 20(9): 571-575.<\/li>\n<li>Imparialos KP, et al: Paradoxo do AVC com inibidores SGLT-2: um jogo de azar ou uma realidade mediada pela viscosidade? J&nbsp;Neurol Neurosurg Psychiatry 2017; 88(3): 249-253.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>CARDOVASC 2018; 17(6): 34-35 (publicado 28.11.18, antes da impress\u00e3o).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A diabetes est\u00e1 associada a um risco cardiovascular acrescido, que deve ser tido em conta de forma terap\u00eautica. 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