{"id":337913,"date":"2018-06-20T02:00:00","date_gmt":"2018-06-20T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/e-o-cerebro-que-faz-comichao-nao-a-pele\/"},"modified":"2018-06-20T02:00:00","modified_gmt":"2018-06-20T00:00:00","slug":"e-o-cerebro-que-faz-comichao-nao-a-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/e-o-cerebro-que-faz-comichao-nao-a-pele\/","title":{"rendered":"\u00c9 o c\u00e9rebro que faz comich\u00e3o, n\u00e3o a pele"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Dr. med. Simon M\u00fcller, M\u00e9dico Senior da Cl\u00ednica de Dermatologia do Hospital Universit\u00e1rio de Basileia, falou sobre o papel da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional na investiga\u00e7\u00e3o da comich\u00e3o. Deu uma vis\u00e3o geral da investiga\u00e7\u00e3o interdisciplinar sobre coceira por neurologistas e dermatologistas com base em estudos actuais.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Frases como &#8220;n\u00e3o estou a fazer comich\u00e3o&#8221;, &#8220;obter pele de galinha&#8221; ou &#8220;sair do fundo do po\u00e7o&#8221; indicam, diz M\u00fcller, que existe uma esp\u00e9cie de consci\u00eancia colectiva da estreita rela\u00e7\u00e3o funcional entre a pele e o c\u00e9rebro, ou melhor, o c\u00e9rebro e a pele. entre a pele, o comportamento e as emo\u00e7\u00f5es. A raz\u00e3o para a estreita rela\u00e7\u00e3o funcional \u00e9 provavelmente a origem embriol\u00f3gica comum &#8211; o neuroectodermio.<\/p>\n<h2 id=\"imagem-de-ressonancia-magnetica-funcional-fmri-no-contexto-do-prurido\">Imagem de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional (fMRI) no contexto do prurido<\/h2>\n<p>A comich\u00e3o \u00e9 definida como uma sensa\u00e7\u00e3o desagrad\u00e1vel que desencadeia a vontade de arranhar. A comich\u00e3o \u00e9 o sintoma dermatol\u00f3gico mais comum. Uma em cada quatro pessoas \u00e9 afectada num sentido m\u00e9dico durante a sua vida.<\/p>\n<p>Sabe-se muito sobre os mediadores da comich\u00e3o, as vias aferentes s\u00e3o bem descritas e a resposta \u00e0 comich\u00e3o (o &#8220;eferente&#8221;) pode ser observada na pr\u00e1tica cl\u00ednica. &#8220;Mas o processamento da coceira cerebral, que em \u00faltima an\u00e1lise leva \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de coceira e \u00e0 reac\u00e7\u00e3o aos riscos, ainda \u00e9 em grande parte uma caixa negra&#8221;, observou M\u00fcller.<\/p>\n<p>Iluminando esta caixa negra \u00e9 onde entra o fMRI, pois permite a visualiza\u00e7\u00e3o indirecta da actividade cerebral durante a comich\u00e3o: Se a actividade neural aumenta, ent\u00e3o a procura de oxig\u00e9nio tamb\u00e9m aumenta. Como resultado, a perfus\u00e3o local aumenta. Isto altera a propor\u00e7\u00e3o de hemoglobina oxigenada e desoxigenada e, assim, localmente tamb\u00e9m a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Isto pode ent\u00e3o ser apresentado anatomicamente atribu\u00eddo ap\u00f3s convers\u00e3o electr\u00f3nica [1].<\/p>\n<h2 id=\"processamento-de-coceira-cerebral\">Processamento de coceira cerebral<\/h2>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 um verdadeiro &#8220;centro de comich\u00e3o&#8221; no c\u00e9rebro. Os componentes individuais da comich\u00e3o, tais como localiza\u00e7\u00e3o, percep\u00e7\u00e3o da intensidade, planeamento da resposta ao risco, a associa\u00e7\u00e3o da comich\u00e3o com a emo\u00e7\u00e3o s\u00e3o processados em subgrupos funcionais corticais e subcorticais e sintetizados em sincronia com a comich\u00e3o. A investiga\u00e7\u00e3o anterior centrou-se no mapeamento desta rede e na compara\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos saud\u00e1veis e pacientes com dermatite at\u00f3pica (AD).<\/p>\n<p>As pessoas saud\u00e1veis e os doentes com AD mostram certas diferen\u00e7as no padr\u00e3o de activa\u00e7\u00e3o [2]. Os indiv\u00edduos saud\u00e1veis activam a somatosensoria prim\u00e1ria e o c\u00f3rtex motor, ou seja, percebem a comich\u00e3o, localizam-na e desenvolvem um potencial de prontid\u00e3o para a resposta aos arranh\u00f5es. Em contraste, h\u00e1 uma actividade altamente amplificada nos at\u00f3picos, em \u00e1reas associadas \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da intensidade, qualidade (por exemplo, qu\u00e3o agrad\u00e1vel \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o), mem\u00f3ria, conota\u00e7\u00e3o afectiva, vontade de riscar, e avalia\u00e7\u00e3o e controlo da resposta ao riscamento. Foi encontrada uma associa\u00e7\u00e3o entre a gravidade do AD e estas estruturas: quanto mais grave for o AD, mais pronunciada ser\u00e1 a pergunta &#8220;agrad\u00e1vel ou desagrad\u00e1vel?&#8221; e o impulso de uma resposta a um arranh\u00e3o.<\/p>\n<h2 id=\"raspagem-e-o-sistema-de-recompensa\">Raspagem e o sistema de recompensa<\/h2>\n<p>Quando se pergunta aos doentes com comich\u00e3o cr\u00f3nica se acham o co\u00e7ar agrad\u00e1vel, a maioria dos doentes com AD e psor\u00edase responde afirmativamente [3]. Isto indica que o riscamento, o prazer e a recompensa est\u00e3o ligados. Um estudo fMRI conseguiu confirmar esta liga\u00e7\u00e3o [4]: Na primeira parte do estudo, pessoas saud\u00e1veis e pacientes com comich\u00e3o cr\u00f3nica co\u00e7aram-se uns aos outros depois de terem induzido comich\u00e3o. Numa segunda parte, arranharam-se a si pr\u00f3prios sem comich\u00e3o.<\/p>\n<p>Na situa\u00e7\u00e3o de coceira, n\u00e3o foram encontradas diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;agradabilidade&#8221; entre os grupos, mas os pacientes tiveram significativamente mais actividade em &#8220;\u00e1reas motoras&#8221;, especialmente na AME, que tamb\u00e9m est\u00e1 associada a comportamentos viciantes. M\u00fcller considerou a segunda parte do estudo particularmente espantosa, porque, em contraste com as pessoas saud\u00e1veis, os pacientes sentiram &#8220;prazer&#8221; mesmo quando co\u00e7avam sem comich\u00e3o e voltaram a mostrar activa\u00e7\u00f5es no sistema de recompensa. Os autores conclu\u00edram que estes resultados poderiam explicar a natureza viciante do co\u00e7ar, que ocorre ap\u00f3s um condicionamento apropriado, sem que haja comich\u00e3o.<\/p>\n<h2 id=\"coceira-contagiosa\">Coceira contagiosa<\/h2>\n<p>O fen\u00f3meno que causa comich\u00e3o pode ser produzido apenas por est\u00edmulos visuais, sem puritog\u00e9nio somatossensorial, \u00e9 chamado comich\u00e3o contagiosa. A causa neurobiol\u00f3gica deste fen\u00f3meno ainda n\u00e3o \u00e9 clara, mas gra\u00e7as aos estudos fMRI, entre outros, existe uma hip\u00f3tese sobre isto [5,6]. Foi demonstrado que durante o Contagioso Itch s\u00e3o activadas \u00e1reas cerebrais que podem ser atribu\u00eddas ao sistema de neur\u00f3nios-espelho. Este sistema desempenha um papel, por exemplo, em risos &#8220;contagiosos&#8221; ou bocejos, ou seja, em &#8220;reflexos de rebanho&#8221;. Assim, postula-se que a comich\u00e3o contagiosa \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de reflexo arcaico do rebanho.<\/p>\n<p>Isto mostra, diz M\u00fcller, que em \u00faltima an\u00e1lise \u00e9 o c\u00e9rebro que faz comich\u00e3o, n\u00e3o a pele &#8211; n\u00e3o precisa de um pruritog\u00e9nio somatossensorial para produzir comich\u00e3o. Al\u00e9m disso, parece que a comich\u00e3o pode ser modificada por est\u00edmulos visuais (&#8220;tacos&#8221;). M\u00fcller relatou um estudo no Hospital Universit\u00e1rio de Basileia, no qual foram utilizadas cores como tacos. Sabemos pela ind\u00fastria alimentar e pela publicidade que as cores podem mudar a percep\u00e7\u00e3o sensorial. Quando questionados sobre a cor da sua comich\u00e3o, 93,5% dos 62 pacientes responderam &#8220;vermelho&#8221;. Dois ter\u00e7os dos inquiridos esperavam al\u00edvio da comich\u00e3o com azul ou verde. No teste pr\u00e1tico, dez pacientes foram expostos \u00e0s suas cores escolhidas para aliviar a comich\u00e3o durante 10 minutos. A equipa de investiga\u00e7\u00e3o descobriu que a comich\u00e3o foi de facto reduzida por esta exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cor. Um estudo com fMRI poderia ajudar a compreender como a percep\u00e7\u00e3o da cor muda a sensa\u00e7\u00e3o de comich\u00e3o. No entanto, um estudo fMRI correspondente com um n\u00famero suficiente de sujeitos est\u00e1 ainda pendente. &#8220;Mas independentemente disto, parece haver uma certa rela\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica entre as cores e a comich\u00e3o. Se mecanismos arcaicos como o Contagious Itch desempenham um papel ou se s\u00e3o antes um ve\u00edculo para relaxar a autossugest\u00e3o, ainda n\u00e3o sabemos. Mas \u00e9 conceb\u00edvel integrar conceitos de cor em medidas terap\u00eauticas&#8221;, concluiu M\u00fcller.<\/p>\n<p><em>Fonte: Palestra &#8220;\u00c9 o c\u00e9rebro que faz comich\u00e3o, n\u00e3o a pele &#8211; o papel da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional na investiga\u00e7\u00e3o da comich\u00e3o&#8221;. Orador: Simon M\u00fcller, MD.<br \/>\nOcasi\u00e3o: Simp\u00f3sio Interdisciplinar &#8220;C\u00e9rebro e Pele&#8221;, 22 de Mar\u00e7o de 2018, Inselspital Bern.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Mueller SM, et al: Imagem de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional em dermatologia: A pele, o c\u00e9rebro e o invis\u00edvel. Exp Dermatol. 2017; 26: 845-853.<\/li>\n<li>Ishiuji Y, et al.: Distintos padr\u00f5es de actividade cerebral evocados pela comich\u00e3o induzida por histamina revelam uma associa\u00e7\u00e3o com a intensidade da comich\u00e3o e a gravidade da doen\u00e7a na dermatite at\u00f3pica. British Journal of Dermatology 2009; 161(5): 1072-1080.<\/li>\n<li>O&#8217;Neill JL, et al.: Diferen\u00e7as nas caracter\u00edsticas de coceira entre os doentes com psor\u00edase e dermatite at\u00f3pica: resultados de um question\u00e1rio baseado na web. Acta dermato-venereologica 2011; 91(5): 537-540.<\/li>\n<li>Mochizuki H, et al.: O co\u00e7ar induz a sobreactividade em regi\u00f5es motoras e o sistema de recompensa em pacientes com comich\u00e3o cr\u00f3nica. Journal of Investigative Dermatology 2015, 135(11); 2814-2823.<\/li>\n<li>Eccles JA, et al.: Sensa\u00e7\u00f5es de infesta\u00e7\u00e3o da pele ligadas a uma reactividade cerebral frontolimbica anormal e diferen\u00e7as na auto-representa\u00e7\u00e3o. Neuropsicologia 2015, 77, 90-96.<\/li>\n<li>Holle H, Warne K: Base neural de coceira contagiosa e porque \u00e9 que algumas pessoas s\u00e3o mais propensas a ela. Actas da Academia Nacional das Ci\u00eancias 2012; 109(48): 19816-19821.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>PR\u00c1TICA DA DERMATOLOGIA 2018; 28(3): 42-42<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dr. med. Simon M\u00fcller, M\u00e9dico Senior da Cl\u00ednica de Dermatologia do Hospital Universit\u00e1rio de Basileia, falou sobre o papel da resson\u00e2ncia magn\u00e9tica funcional na investiga\u00e7\u00e3o da comich\u00e3o. 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