{"id":338794,"date":"2018-01-06T01:00:00","date_gmt":"2018-01-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/a-suica-na-comparacao-internacional-ha-margem-para-melhorias\/"},"modified":"2018-01-06T01:00:00","modified_gmt":"2018-01-06T00:00:00","slug":"a-suica-na-comparacao-internacional-ha-margem-para-melhorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/a-suica-na-comparacao-internacional-ha-margem-para-melhorias\/","title":{"rendered":"A Su\u00ed\u00e7a na compara\u00e7\u00e3o internacional &#8211; h\u00e1 margem para melhorias?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Um estudo global sobre a mortalidade por cancro chega a resultados espantosos. As diferen\u00e7as internacionais na leucemia infantil s\u00e3o consider\u00e1veis. A Su\u00ed\u00e7a tem uma boa pontua\u00e7\u00e3o global, mas ainda tem espa\u00e7o para melhorias em uma ou duas \u00e1reas.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>As leucemias s\u00e3o um grupo heterog\u00e9neo de doen\u00e7as com etiologia largamente desconhecida que se encontram entre as doen\u00e7as malignas mais comuns na inf\u00e2ncia. A maioria delas s\u00e3o leucemias linf\u00e1ticas agudas (ALL), mas as leucemias miel\u00f3ides agudas (AML) na inf\u00e2ncia s\u00e3o muito mais raras. Desde os anos 90 &#8211; onde o inqu\u00e9rito come\u00e7ou &#8211; as possibilidades de diagn\u00f3stico e os protocolos terap\u00eauticos sofreram de novo um desenvolvimento significativo. Contudo, a escassez de recursos e as insufici\u00eancias dos seguros limitam significativamente o acesso em muitos pa\u00edses e asseguram que todos os afectados n\u00e3o beneficiem de forma alguma dos avan\u00e7os da ci\u00eancia [4].<\/p>\n<h2 id=\"concord\">CONCORD<\/h2>\n<p>A an\u00e1lise baseia-se no chamado programa CONCORD, que j\u00e1 produziu uma compara\u00e7\u00e3o global das tend\u00eancias de sobreviv\u00eancia na popula\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as com leucemia h\u00e1 mais de dois anos [3]. Os dados tinham mostrado diferen\u00e7as not\u00e1veis na sobreviv\u00eancia ajustada de 5 anos de crian\u00e7as com precursor TODOS (o precursor B TODOS \u00e9 o mais comum na inf\u00e2ncia TODOS) entre os diferentes pa\u00edses &#8211; isto no per\u00edodo de 1995 a 2009. A an\u00e1lise actual visava alargar os resultados, entre outros, a mais subtipos de leucemia infantil.<\/p>\n<h2 id=\"quase-90-000-criancas-de-53-paises\">Quase 90.000 crian\u00e7as de 53 pa\u00edses<\/h2>\n<p>O estudo incluiu 89 828 crian\u00e7as de um total de 198 registos de cancro que tinham recebido um diagn\u00f3stico de leucemia entre Janeiro de 1995 e Dezembro de 2009. Posteriormente, o curso individual foi seguido durante o mesmo per\u00edodo de tempo. Dados duvidosos e registos com menos de dez casos n\u00e3o foram considerados. O ponto final foi a sobreviv\u00eancia ajustada em 5 anos, ou seja, a sobreviv\u00eancia prov\u00e1vel ap\u00f3s controlo estat\u00edstico para mortes por outras causas, por per\u00edodo (1995-1999, 2000-2004 e 2005-2009) e por idade de diagn\u00f3stico (&lt;1, 1-4, 5-9 e 10-14 anos) e por sexo.<\/p>\n<p>A escala do programa CONCORD excede em muito a investiga\u00e7\u00e3o anterior nesta \u00e1rea. Os autores esperam que isto desencadeie esfor\u00e7os internacionais e esfor\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o, uma vez que os resultados n\u00e3o deixam praticamente nenhuma pergunta sem resposta na sua clareza.<\/p>\n<h2 id=\"os-resultados-em-detalhe\">Os resultados em detalhe<\/h2>\n<p>\u00c9 verdade que, de uma perspectiva internacional, a previs\u00e3o seguiu uma tend\u00eancia ascendente entre 1995 e 2009. Embora o intervalo de sobreviv\u00eancia de 5 anos em todas as formas de TODOS no per\u00edodo entre 1995 e 1999 ainda se tenha alargado de um chocantemente baixo 10,6% (!) nos registos chineses para 86,8% na \u00c1ustria, as diferen\u00e7as uma d\u00e9cada mais tarde foram um pouco menos acentuadas, mas ainda consider\u00e1veis, por exemplo 52,4% em Cali, Col\u00f4mbia, e 91,6% nos registos alem\u00e3es.<\/p>\n<p>No caso da AML, onde o progn\u00f3stico \u00e9 globalmente pior, houve tamb\u00e9m diferen\u00e7as internacionais significativas que variaram entre 33,3% na Bulg\u00e1ria e 78,2% novamente na Alemanha. Contudo, em compara\u00e7\u00e3o com TODOS, houve um aumento mais acentuado da sobreviv\u00eancia a n\u00edvel internacional a partir dos anos 2000. Os dados acima foram normalizados por idade.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as entre um e quatro e cinco e nove anos de idade tinham as melhores hip\u00f3teses de sobreviv\u00eancia, enquanto os beb\u00e9s tinham as piores hip\u00f3teses de sobreviv\u00eancia. As crian\u00e7as dos 10-14 anos de idade mostraram recentemente uma melhoria.<\/p>\n<p>O progn\u00f3stico e tamb\u00e9m as varia\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do pa\u00eds do precursor TODOS e TODOS (em geral) foram muito semelhantes.<\/p>\n<h2 id=\"e-a-suica\">E a Su\u00ed\u00e7a?<\/h2>\n<p>Enquanto o grande vizinho do norte, a Alemanha, \u00e9 um l\u00edder global de acordo com os dados, a Su\u00ed\u00e7a est\u00e1 ligeiramente atrasada. O seu desempenho global \u00e9 muito bom, joga na liga superior em todo o lado, mas ainda tem espa\u00e7o para melhorias aqui e ali. Isto \u00e9 especialmente verdade para TODOS. Se compararmos os dados de sobreviv\u00eancia combinados para todas as formas de TODOS, a Su\u00ed\u00e7a, por exemplo, com 87,9%, est\u00e1 logo atr\u00e1s dos pa\u00edses do norte da Europa, Noruega e Reino Unido ou mesmo dos pa\u00edses vizinhos \u00c1ustria e Fran\u00e7a. O l\u00edder internacional \u00e9 a Alemanha com 91,6%.<\/p>\n<p>O que \u00e9 not\u00e1vel \u00e9 a melhoria extraordinariamente forte do progn\u00f3stico em AML entre 1995-2004 e 2005-2009, de uns bons 53% para 75%. Aqui a Su\u00ed\u00e7a, juntamente com a Tail\u00e2ndia (esta \u00faltima a um n\u00edvel global muito mais baixo), entre outros, registou o maior crescimento e as taxas est\u00e3o a aproximar-se de TODOS. Em 2005-2009 foram 75,2%. A Su\u00ed\u00e7a j\u00e1 quase n\u00e3o \u00e9 ultrapassada internacionalmente, apenas a Alemanha \u00e9 novamente ligeiramente superior, com 78,2%. A Su\u00ed\u00e7a tamb\u00e9m tem um desempenho excepcionalmente bom em leucemia de c\u00e9lulas B maduras.<\/p>\n<h2 id=\"criancas-de-nacoes-industrializadas-favorecidas\">Crian\u00e7as de na\u00e7\u00f5es industrializadas favorecidas<\/h2>\n<p>De acordo com o estudo, as hip\u00f3teses de uma crian\u00e7a afectada vencer a doen\u00e7a dependem fortemente do facto de crescer numa na\u00e7\u00e3o industrializada ou num pa\u00eds de baixo ou m\u00e9dio rendimento. Se se considerar que ao mesmo tempo num lugar do mundo, a Col\u00f4mbia, apenas metade das crian\u00e7as com TODAS sobrevivem, enquanto noutro lugar, a Alemanha, quase todas sobrevivem, apesar de terem a mesma doen\u00e7a e s\u00f3 diferirem na sua localiza\u00e7\u00e3o, a necessidade de ac\u00e7\u00e3o torna-se \u00f3bvia. O lan\u00e7amento de programas de tratamento multidisciplinares acess\u00edveis e adaptados localmente \u00e9, portanto, crucial.<\/p>\n<p><em>Fonte: Bonaventure A, et al.: Worldwide comparison of survival from childhood leukaemia for 1995-2009, by subtype, age, and sex (CONCORD-2): um estudo baseado na popula\u00e7\u00e3o de dados individuais de 89 828 crian\u00e7as de 198 registos em 53 pa\u00edses. The Lancet Haematology 2017; 4(5): e202-e217.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Ferlay J, et al: Cancer incidence and mortality worldwide: sources, methods and major patterns in GLOBOCAN 2012. Int J Cancer 2015; 136: e359-e386.<\/li>\n<li>Coleman MP, et al: Sobreviv\u00eancia do cancro nos cinco continentes: um estudo baseado na popula\u00e7\u00e3o mundial (CONCORD). Lancet Oncol 2008; 9: 730-756.<\/li>\n<li>Allemani C, et al: Global surveillance of cancer survival 1995-2009: an\u00e1lise de dados individuais de 25 676 887 pacientes de 279 registos populacionais em 67 pa\u00edses (CONCORD-2). Lancet 2015; 385: 977-1010.<\/li>\n<li>Magrath I, et al: Cancro pedi\u00e1trico em pa\u00edses de baixos e m\u00e9dios rendimentos. Lancet Oncol 2013; 14: e104-e116.<br \/>\n\t&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>InFo ONCOLOGy &amp; HEMATOLOGy 2017; 5(6): 3<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo global sobre a mortalidade por cancro chega a resultados espantosos. As diferen\u00e7as internacionais na leucemia infantil s\u00e3o consider\u00e1veis. 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