{"id":341009,"date":"2016-09-06T02:00:00","date_gmt":"2016-09-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/quando-e-possivel-parar-a-terapia\/"},"modified":"2016-09-06T02:00:00","modified_gmt":"2016-09-06T00:00:00","slug":"quando-e-possivel-parar-a-terapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/quando-e-possivel-parar-a-terapia\/","title":{"rendered":"Quando \u00e9 poss\u00edvel parar a terapia?"},"content":{"rendered":"<p><strong>A maioria dos pacientes com LMC depende de terapia com um inibidor de tirosina quinase para toda a vida. No entanto, h\u00e1 cada vez mais investiga\u00e7\u00e3o sobre quando e em que casos e em que pacientes seria poss\u00edvel uma paragem terap\u00eautica. Os \u00faltimos resultados do estudo EURO-SKI foram apresentados no Congresso da EHA deste ano.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Os inibidores da tirosina quinase (TKIs) alteraram fundamentalmente o tratamento e cuidados de doentes com leucemia miel\u00f3ide cr\u00f3nica (LMC). Os pacientes que respondem \u00e0 terapia hoje em dia t\u00eam quase a mesma esperan\u00e7a de vida que as pessoas sem LMC. No entanto, os pacientes ainda t\u00eam de tomar TKIs para o resto das suas vidas.<\/p>\n<p>V\u00e1rios ensaios tentaram parar o tratamento em doentes com uma &#8220;resposta molecular profunda&#8221; (MR4), e cerca de 50% dos doentes permaneceram em remiss\u00e3o sem um TKI. Os ensaios actuais est\u00e3o a avaliar os crit\u00e9rios que um doente deve cumprir para poder parar o tratamento TKI sem correr o risco de uma reca\u00edda.<\/p>\n<h2 id=\"tentativa-de-descontinuacao-apenas-apos-tres-anos-de-terapia-tki\">Tentativa de descontinua\u00e7\u00e3o apenas ap\u00f3s tr\u00eas anos de terapia TKI<\/h2>\n<p>No congresso da EHA, foram apresentados os resultados correspondentes do estudo EURO-SKI (Europe Stop Tyrosine Kinase Inhibitors) [1]. Um total de 760 pacientes foram inscritos no estudo entre Maio de 2012 e Dezembro de 2014 (46,6% dos quais mulheres, idade m\u00e9dia de 60,3 anos). 10% eram pacientes de alto risco de acordo com a pontua\u00e7\u00e3o EUTOS, 18% eram pacientes de alto risco de acordo com a pontua\u00e7\u00e3o Sokal. A terapia de primeira linha consistiu em imatinib em 94% dos pacientes, 2% receberam dasatinib e 4% nilotinib. 115 pacientes foram desde ent\u00e3o tratados com terapia de segunda linha (58 dasatinibe, 7 imatinibe, 49 nilotinibe) devido \u00e0 resist\u00eancia \u00e0 subst\u00e2ncia activa da terapia de primeira linha. A dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do tratamento com um TKI foi de 91 meses (intervalo: 36,3-170 meses). Os requisitos para a inclus\u00e3o no estudo eram que os pacientes tivessem recebido uma TKI durante pelo menos tr\u00eas anos e tivessem obtido uma resposta molecular profunda durante pelo menos um ano.<\/p>\n<h2 id=\"apos-dois-anos-50-dos-pacientes-ainda-em-remissao\">Ap\u00f3s dois anos, 50% dos pacientes ainda em remiss\u00e3o<\/h2>\n<p>Em 717 pacientes, os dados moleculares correspondentes foram recolhidos ap\u00f3s a descontinua\u00e7\u00e3o da TKI. A resposta molecular (MMR) perdeu-se em 331 pessoas durante o seguimento (1-36 meses) ap\u00f3s a paragem da TKI, 4 morreram em remiss\u00e3o durante a fase de seguimento, e 381 pacientes ainda estavam em remiss\u00e3o no \u00faltimo seguimento. 62% dos pacientes estavam em remiss\u00e3o 6 meses ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o da terapia, 56% ap\u00f3s 12 meses e 51% ap\u00f3s 24 meses. Estes resultados confirmam a experi\u00eancia de que a maioria das reca\u00eddas de LMC ocorrem relativamente cedo ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o da terapia. A dura\u00e7\u00e3o da terapia TKI e MR4 correlacionou-se significativamente com o estado de MMR aos seis meses. Nenhuma associa\u00e7\u00e3o significativa com o estado MMR aos seis meses p\u00f4de ser observada para as vari\u00e1veis de g\u00e9nero ou EUTOS\/MSD. As pontua\u00e7\u00f5es de Sokal podem ser determinadas. Cerca de 30% dos pacientes experimentaram sobretudo sintomas m\u00fasculo-esquel\u00e9ticos transit\u00f3rios ap\u00f3s a descontinua\u00e7\u00e3o do TKI.<\/p>\n<h2 id=\"sem-efeitos-secundarios-custos-mais-baixos\">Sem efeitos secund\u00e1rios, custos mais baixos<\/h2>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o da terapia TKI n\u00e3o s\u00f3 poupa os doentes com LMC de quaisquer efeitos secund\u00e1rios do tratamento TKI, tais como hipertens\u00e3o arterial, mas tamb\u00e9m custos consider\u00e1veis. Estima-se que o tratamento com um TKI custa cerca de 30.000-40.000 euros por paciente por ano na Europa. Contudo, estes custos n\u00e3o descem simplesmente a zero quando a terapia \u00e9 interrompida, uma vez que os pacientes em quest\u00e3o t\u00eam de ser acompanhados de muito perto. O primeiro autor de EURO-SKI, Johan Richter (Lund, Su\u00e9cia) salientou na sua apresenta\u00e7\u00e3o que a interrup\u00e7\u00e3o da terapia em CML ainda \u00e9 experimental e s\u00f3 deve ser feita no contexto de ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Richter J, et al: Stopping tyrosine kinase inhibitors in a very large cohort of European chronic myeloid leukemia patients: results of the EURO-SKI trial. EHA21, 2016, Copenhaga, Abstrato: S145.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>InFo ONCOLOGy &amp; HEMATOLOGy 2016; 4(5): 3<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos pacientes com LMC depende de terapia com um inibidor de tirosina quinase para toda a vida. 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