{"id":342540,"date":"2015-10-22T02:00:00","date_gmt":"2015-10-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/aspectos-eticos-de-decisoes-terapeuticas-e-planeamento-de-cuidados-avancados\/"},"modified":"2015-10-22T02:00:00","modified_gmt":"2015-10-22T00:00:00","slug":"aspectos-eticos-de-decisoes-terapeuticas-e-planeamento-de-cuidados-avancados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/aspectos-eticos-de-decisoes-terapeuticas-e-planeamento-de-cuidados-avancados\/","title":{"rendered":"Aspectos \u00e9ticos de decis\u00f5es terap\u00eauticas e planeamento de cuidados avan\u00e7ados"},"content":{"rendered":"<p><strong>Podem surgir conflitos \u00e9ticos na determina\u00e7\u00e3o de um tratamento quando existem diferentes pontos de vista sobre objectivos terap\u00eauticos exequ\u00edveis e razo\u00e1veis. O primeiro passo de um tratamento eticamente bem fundamentado \u00e9 avaliar de forma realista os objectivos terap\u00eauticos fundamentalmente realiz\u00e1veis. A segunda \u00e9 envolver o paciente nas considera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da evid\u00eancia m\u00e9dico-cient\u00edfica, a fim de definir o objectivo terap\u00eautico que \u00e9 desej\u00e1vel para o paciente individual. Antes de se iniciar o tratamento, deve ser efectuado um planeamento antecipado dos cuidados de sa\u00fade para futuras situa\u00e7\u00f5es em que o doente n\u00e3o seja capaz de julgar.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p><em>Uma paciente feminina de 77 anos \u00e9 admitida na unidade de cuidados intensivos \u00e0 noite com pneumonia ap\u00f3s um ciclo de quimioterapia intensiva para a leucemia miel\u00f3ide aguda. Durante as rondas da manh\u00e3, o m\u00e9dico respons\u00e1vel pergunta: &#8220;Como \u00e9 poss\u00edvel que um doente desta idade seja submetido a uma quimioterapia t\u00e3o intensiva? E at\u00e9 onde devemos ir aqui&#8221;?<\/em><\/p>\n<p>A \u00e9tica n\u00e3o pode ser separada da medicina. A \u00e9tica est\u00e1 no cerne da legitimidade de todas as profiss\u00f5es da sa\u00fade. Surgem quest\u00f5es \u00e9ticas centrais em cada tratamento de pacientes: O que posso, o que posso, o que devo fazer? N\u00e3o raro, estamos a lidar com dilemas, n\u00e3o com &#8220;situa\u00e7\u00f5es vantajosas para todos&#8221;: cada op\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 tem vantagens e desvantagens diferentes que devem ser conhecidas e comunicadas e ponderadas diferentemente por boas raz\u00f5es, como tamb\u00e9m viola um princ\u00edpio ou objectivo importante do tratamento m\u00e9dico. N\u00e3o se pode sair de tais situa\u00e7\u00f5es sem sujar as m\u00e3os. A \u00e9tica cl\u00ednica actual preocupa-se, entre outras coisas, com a sensibiliza\u00e7\u00e3o para estas quest\u00f5es e com o apoio a doentes e equipas de tratamento em tais situa\u00e7\u00f5es. O objectivo \u00e9 encontrar solu\u00e7\u00f5es bem fundamentadas que incorporem de forma transparente as melhores provas, bem como a experi\u00eancia e os valores<strong> (Fig.&nbsp;1)<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-6280\" alt=\"\" src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0.jpg\" style=\"height:308px; width:600px\" width=\"1100\" height=\"565\" srcset=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0.jpg 1100w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0-800x411.jpg 800w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0-120x62.jpg 120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0-90x46.jpg 90w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0-320x164.jpg 320w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb1_15_0-560x288.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste ponto, \u00e9 explorada a quest\u00e3o de quais os aspectos \u00e9ticos que desempenham um papel no tratamento das leucemias agudas em idade avan\u00e7ada. Neste contexto, o conceito actualmente muito discutido de &#8220;Planeamento de Cuidados Avan\u00e7ados&#8221; \u00e9 tamb\u00e9m brevemente discutido. Tamb\u00e9m desempenha um papel importante nestas situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a para se chegar a um plano de tratamento abrangente e bem fundamentado que corresponda \u00e0 vontade do paciente.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"diferentes-objectivos-terapeuticos\">Diferentes objectivos terap\u00eauticos<\/h2>\n<p>Nos documentos centrais que descrevem a natureza da medicina, quatro objectivos s\u00e3o igualmente relevantes e desej\u00e1veis:<\/p>\n<ol>\n<li>Evitar a morte prematura<\/li>\n<li>Preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as<\/li>\n<li>Cuidar de pessoas doentes (Care)<\/li>\n<li>Al\u00edvio do sofrimento [1].<\/li>\n<\/ol>\n<p>Estes objectivos podem ser ainda mais diferenciados <strong>(Tab.&nbsp;1) <\/strong>. Muito frequentemente, estes objectivos s\u00e3o passados uns atr\u00e1s dos outros no decurso de uma doen\u00e7a. No entanto, trata-se sempre tamb\u00e9m de qualidade de vida e muitas vezes tamb\u00e9m de qualidade de morte. Os conflitos \u00e9ticos surgem frequentemente ao determinar o tratamento no seio da equipa de tratamento ou tamb\u00e9m entre a equipa de tratamento e o paciente, uma vez que existem diferentes pontos de vista sobre objectivos terap\u00eauticos exequ\u00edveis e razo\u00e1veis. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 raro pensar que prolongar a vida \u00e9 sempre o objectivo desej\u00e1vel para os pacientes, que n\u00e3o alcan\u00e7ar este objectivo significa um fracasso do tratamento e que, al\u00e9m disso, aliviar o sofrimento e prolongar a vida s\u00e3o fundamentalmente mutuamente exclusivos. Na maioria dos casos, os conflitos surgem na transi\u00e7\u00e3o dos objectivos terap\u00eauticos de &#8220;prolongar a vida com uma dada doen\u00e7a&#8221; para &#8220;aumentar\/manter a qualidade de vida&#8221; na fase paliativa est\u00e1vel e de &#8220;controlo prim\u00e1rio dos sintomas\/controlo do sofrimento&#8221; para &#8220;permitir uma boa morte&#8221; na fase paliativa inst\u00e1vel (&#8220;diagnosticar a morte&#8221;). Isto tamb\u00e9m se aplica ao tratamento de doentes idosos em geral e, em particular, aos doentes idosos com leucemia aguda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6281 lazyload\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1.jpg\" style=\"--smush-placeholder-width: 828px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 828\/550;height:266px; width:400px\" width=\"828\" height=\"550\" data-srcset=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1.jpg 828w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1-800x531.jpg 800w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1-120x80.jpg 120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1-90x60.jpg 90w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1-320x213.jpg 320w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab1_15_1-560x372.jpg 560w\" data-sizes=\"(max-width: 828px) 100vw, 828px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"que-objectivos-podem-ser-alcancados\">Que objectivos podem ser alcan\u00e7ados?<\/h2>\n<p>O primeiro passo de um tratamento eticamente bem fundamentado deve ser a avalia\u00e7\u00e3o realista dos objectivos terap\u00eauticos fundamentalmente realiz\u00e1veis. Os m\u00e9dicos n\u00e3o s\u00e3o obrigados a oferecer um tratamento que n\u00e3o seja medicamente \u00fatil ou a realiz\u00e1-lo a pedido do paciente. No entanto, a quest\u00e3o do que constitui um tratamento medicamente in\u00fatil, por exemplo, onde a fronteira se situa com um tratamento justific\u00e1vel de prolongamento da vida, n\u00e3o \u00e9 trivial e \u00e9 definida de forma muito diferente para os mesmos grupos de doentes em todo o mundo [2]. A boa pr\u00e1tica \u00e9tica cl\u00ednica requer a transpar\u00eancia das avalia\u00e7\u00f5es e valores profissionais que j\u00e1 est\u00e3o incorporados na indica\u00e7\u00e3o supostamente objectiva. Neste contexto, deve ser examinado se as medidas implementadas ou propostas s\u00e3o tamb\u00e9m adequadas para alcan\u00e7ar este objectivo.<\/p>\n<p>Por exemplo, se os pacientes com um tumor ainda estiverem numa situa\u00e7\u00e3o paliativa est\u00e1vel, faz muitas vezes sentido continuar a dilui\u00e7\u00e3o do sangue para a fibrila\u00e7\u00e3o atrial que j\u00e1 foi iniciada, a fim de reduzir o risco a longo prazo de derrames cerebrais e, dependendo do tumor, tamb\u00e9m o risco de trombose relacionado com o tumor. No entanto, n\u00e3o \u00e9 raro que os doentes na fase paliativa inst\u00e1vel, com um claro enfoque no melhor controlo dos sintomas poss\u00edveis, recebam uma dilui\u00e7\u00e3o do sangue para fibrila\u00e7\u00e3o atrial que foi iniciada h\u00e1 dez anos atr\u00e1s at\u00e9 pouco antes da morte. Por conseguinte, deve ser continuamente examinado se uma medida destinada a prolongar a vida \u00e9 ainda fundamentalmente adequada para alcan\u00e7ar este objectivo, e se os encargos associados fazem justi\u00e7a ao objectivo &#8211; que se torna cada vez mais relevante no decurso da doen\u00e7a &#8211; de manter a melhor qualidade de vida poss\u00edvel. Do mesmo modo, deve ser examinado se as terapias que visam principalmente o controlo dos sintomas atingem este objectivo t\u00e3o bem ou melhor do que as medidas que tamb\u00e9m servem para prolongar a vida.  &nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"avaliacao-do-prognostico-risco-e-beneficio\">Avalia\u00e7\u00e3o do progn\u00f3stico, risco e benef\u00edcio<\/h2>\n<p>Para os pacientes mais idosos, deve ser feita uma avalia\u00e7\u00e3o igualmente diferenciada da situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 agora indiscut\u00edvel que n\u00e3o s\u00f3 a idade, mas tamb\u00e9m as comorbidades e o estado funcional s\u00e3o decisivos para o progn\u00f3stico e a rela\u00e7\u00e3o risco-benef\u00edcio das interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Por exemplo, os grandes dados do registo americano sobre ressuscita\u00e7\u00e3o intra-hospitalar mostram que a curva de sobreviv\u00eancia e de boa qualidade de sobreviv\u00eancia tem a forma de U em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade: os pacientes ressuscitados aos 18 anos de idade t\u00eam, em m\u00e9dia, a mesma taxa de sobreviv\u00eancia alta ou baixa que os reanimados aos 18 anos de idade. pequena hip\u00f3tese de 10% como pacientes de 80 anos sobreviverem \u00e0 reanima\u00e7\u00e3o e com um bom resultado. Isto porque os doentes jovens que necessitam de reanima\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o geralmente muito doentes &#8211; e os jovens de 80 anos que s\u00e3o reanimados apesar da sua idade avan\u00e7ada s\u00e3o normalmente apressados de antem\u00e3o [3,4].<\/p>\n<p>A mesma diferencia\u00e7\u00e3o deve ser feita para as fases da doen\u00e7a em doen\u00e7as oncol\u00f3gicas. Os pacientes que requerem reanima\u00e7\u00e3o em aplasia t\u00eam apenas 0-1% de hip\u00f3teses de sobreviver \u00e0 reanima\u00e7\u00e3o; o consenso global \u00e9 que isto \u00e9 in\u00fatil. Seria portanto eticamente bem fundamentado &#8211; mas associado a elevados desafios de comunica\u00e7\u00e3o &#8211; discutir, apesar da quimioterapia intensiva claramente destinada a prolongar ou mesmo curar a vida, que nenhuma ressuscita\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada no caso muito raro de paragem card\u00edaca sob a aplasia. Os pacientes com tumores s\u00f3lidos t\u00eam mais hip\u00f3teses de sobreviv\u00eancia do que os pacientes com doen\u00e7as hematol\u00f3gicas. Para o resultado da reanima\u00e7\u00e3o do cancro, n\u00e3o \u00e9 a met\u00e1stase que \u00e9 decisiva, mas sim o \u00edndice de Karnofsky. Se este ainda for superior a 50, a hip\u00f3tese de sobreviver \u00e0 reanima\u00e7\u00e3o \u00e9 quase a m\u00e9dia normal (15% para todos os pacientes ap\u00f3s a reanima\u00e7\u00e3o); se o \u00edndice de Karnofsky for inferior a 50, a hip\u00f3tese cai para menos de 5% [5].<\/p>\n<h2 id=\"consentimento-informado-ou-tomada-de-decisao-partilhada\">\n&#8220;Consentimento informado ou tomada de decis\u00e3o partilhada<\/h2>\n<p>O segundo passo de um tratamento eticamente bem fundamentado \u00e9 envolver o paciente &#8211; tanto quanto poss\u00edvel e desejado pelo paciente &#8211; nas considera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da evid\u00eancia e experi\u00eancia m\u00e9dico-cient\u00edfica acima descritas, a fim de definir o objectivo terap\u00eautico que \u00e9 desej\u00e1vel para o paciente individual. Nem todas as pessoas com mais de 80 anos t\u00eam uma m\u00e1 qualidade de vida, nem todas as pessoas com menos de 60 anos querem ser ressuscitadas com um bom conhecimento dos riscos e benef\u00edcios da ressuscita\u00e7\u00e3o cardiopulmonar.<\/p>\n<p>A este respeito, a norma m\u00ednima de &#8220;consentimento informado&#8221; difere fundamentalmente da norma de &#8220;tomada de decis\u00e3o partilhada&#8221;, que \u00e9 agora frequentemente defendida como a norma de ouro para a tomada de decis\u00e3o com os pacientes. No caso de &#8220;consentimento informado&#8221;, o m\u00e9dico (ou o conselho tumoral) efectua sozinho as avalia\u00e7\u00f5es de risco-benef\u00edcio e comunica uma recomenda\u00e7\u00e3o de tratamento ou mesmo uma decis\u00e3o ao doente sem que as considera\u00e7\u00f5es sejam realmente transparentes, e o doente s\u00f3 pode concordar ou rejeitar esta op\u00e7\u00e3o. A tomada de decis\u00e3o partilhada envolve o doente nestas considera\u00e7\u00f5es de risco-benef\u00edcio, muitas vezes apoiadas por instrumentos de tomada de decis\u00e3o baseados em provas e compet\u00eancias de comunica\u00e7\u00e3o espec\u00edficas [6\u20138]. Tais ajudas \u00e0 decis\u00e3o, que est\u00e3o sujeitas a elevados padr\u00f5es de qualidade, foram entretanto desenvolvidas para v\u00e1rias 100 situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a, por exemplo para ponderar a ressuscita\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, para muitos procedimentos de rastreio e diagn\u00f3stico (por exemplo, teste de PSA, rastreio mamogr\u00e1fico) e tamb\u00e9m para op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas (por exemplo, anticoagula\u00e7\u00e3o para fibrila\u00e7\u00e3o atrial, procedimentos de tratamento para cancro da mama ou do c\u00f3lon, quimioterapias para doen\u00e7as hematol\u00f3gicas) [8].<\/p>\n<h2 id=\"decisoes-de-tratamento-em-doentes-idosos-com-leucemias-agudas\">Decis\u00f5es de tratamento em doentes idosos com leucemias agudas<\/h2>\n<p>Tanto quanto \u00e9 do conhecimento do autor, n\u00e3o existem meios de tomada de decis\u00e3o baseados em provas para a leucemia aguda em doentes idosos. No entanto, os aspectos essenciais de uma perspectiva cl\u00ednico-\u00e9tica correspondem inicialmente \u00e0s considera\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas descritas. As provas e a opini\u00e3o de peritos sobre os benef\u00edcios da quimioterapia intensiva em leucemia aguda em doentes idosos diferem, especialmente para os objectivos terap\u00eauticos centrais da qualidade de vida e do prolongamento da vida. Alguns autores v\u00eaem um benef\u00edcio, outros duvidam disso [9,10]. O estudo pioneiro de Temel et al. mostrou basicamente que a integra\u00e7\u00e3o precoce dos cuidados paliativos pode prolongar significativamente a vida [11,12]. No entanto, de acordo com as an\u00e1lises do registo sueco, os pacientes mais idosos tamb\u00e9m beneficiam de quimioterapia intensiva (em compara\u00e7\u00e3o com as terapias paliativas principalmente) em termos de qualidade de vida [9]. Globalmente, devem ser tidas em conta as caracter\u00edsticas espec\u00edficas da doen\u00e7a&nbsp; <strong>(Tab.&nbsp;2),<\/strong> que requerem considera\u00e7\u00f5es centrais <strong>(Fig.&nbsp;2)<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6282 lazyload\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0.jpg\" style=\"--smush-placeholder-width: 828px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 828\/941;height:455px; width:400px\" width=\"828\" height=\"941\" data-srcset=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0.jpg 828w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0-800x909.jpg 800w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0-120x136.jpg 120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0-90x102.jpg 90w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0-320x364.jpg 320w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/tab2_10_0-560x636.jpg 560w\" data-sizes=\"(max-width: 828px) 100vw, 828px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6283 lazyload\" alt=\"\" data-src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0.jpg\" style=\"--smush-placeholder-width: 1100px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 1100\/346;height:189px; width:600px\" width=\"1100\" height=\"346\" data-srcset=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0.jpg 1100w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0-800x252.jpg 800w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0-120x38.jpg 120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0-90x28.jpg 90w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0-320x101.jpg 320w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/abb2_10_0-560x176.jpg 560w\" data-sizes=\"(max-width: 1100px) 100vw, 1100px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para um doente idoso com leucemia aguda, \u00e9 essencial no planeamento terap\u00eautico que o objectivo de tratamento que \u00e9 principalmente desej\u00e1vel para o doente seja alcan\u00e7ado (com base em objectivos terap\u00eauticos alcan\u00e7\u00e1veis, perfil de risco espec\u00edfico e situa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica geral, especialmente comorbilidades e estado funcional). N\u00e3o \u00e9 raro que, ap\u00f3s cuidadosa considera\u00e7\u00e3o e envolvimento do paciente, se verifique que o objectivo priorit\u00e1rio \u00e9 uma morte em casa que seja t\u00e3o bem acompanhada quanto poss\u00edvel, uma vez que o paciente acaba por sentir que a vida foi vivida. Em tal situa\u00e7\u00e3o, faz sentido renunciar \u00e0 quimioterapia intensiva, j\u00e1 que o risco de morrer no hospital \u00e9 bastante elevado. Se a qualidade de vida for vista como elevada e a possibilidade de viver mais tempo for vista como uma prioridade, deve ser considerada a quimioterapia intensiva &#8211; adaptada ao perfil de risco individual.<\/p>\n<h2 id=\"planeamento-de-cuidados-avancados\">Planeamento de cuidados avan\u00e7ados<\/h2>\n<p>Em ambos os casos, \u00e9 importante planear com bastante anteced\u00eancia o que ir\u00e1 acontecer no caso de uma deteriora\u00e7\u00e3o da sa\u00fade. Se o paciente decidir sobre o objectivo terap\u00eautico da melhor palia\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria poss\u00edvel, deve ser bem avaliado onde isto pode ter lugar. Se o paciente quiser morrer em casa, \u00e9 necess\u00e1rio um plano complexo de cuidados paliativos com envolvimento intensivo de servi\u00e7os ambulat\u00f3rios. No caso da decis\u00e3o para o objectivo de prolongamento da vida, o planeamento tamb\u00e9m deve ser feito para situa\u00e7\u00f5es em que este &#8220;Plano A&#8221; n\u00e3o se concretize. Antes de se iniciar o tratamento, \u00e9 essencial que a reanima\u00e7\u00e3o sob a aplasia e os limites individuais do tratamento que prolonga a vida, entre outras coisas, sejam discutidos intensivamente.<\/p>\n<p>Este Planeamento de Cuidados Avan\u00e7ados \u00e9 definido como um processo de planeamento e implementa\u00e7\u00e3o para futuras situa\u00e7\u00f5es de tomada de decis\u00f5es relacionadas com a sa\u00fade em que os pacientes n\u00e3o s\u00e3o capazes de julgar. Pessoas de refer\u00eancia centrais e representantes de toda a cadeia de tratamento est\u00e3o envolvidos no processo: m\u00e9dico de fam\u00edlia, pessoal de enfermagem em cuidados ambulat\u00f3rios, param\u00e9dicos, m\u00e9dicos de urg\u00eancia, especialistas no sector de internamento. O paciente deve ser apoiado na formula\u00e7\u00e3o de uma directiva antecipada que fa\u00e7a sentido do ponto de vista m\u00e9dico e que lhe seja adaptada, e na elabora\u00e7\u00e3o de planos de emerg\u00eancia adaptados aos seus valores. Este conceito, que est\u00e1 cada vez mais estabelecido em oncologia no mundo [13\u201315], est\u00e1 tamb\u00e9m integrado na directriz S3 baseada na evid\u00eancia Palliative Care, e est\u00e1 tamb\u00e9m a ser avaliado no Hospital Universit\u00e1rio de Zurique em coopera\u00e7\u00e3o com as Cl\u00ednicas de Hematologia e Oncologia como parte de um estudo financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Nacional Su\u00ed\u00e7a para a Ci\u00eancia [16].<\/p>\n<p>O Planeamento de Cuidados Avan\u00e7ados completa um plano de tratamento cl\u00ednico e eticamente bem fundamentado para a terapia da leucemia aguda em doentes idosos. O planeamento dos cuidados avan\u00e7ados contribuiria para o facto de que no caso descrito no in\u00edcio, o m\u00e9dico s\u00e9nior respons\u00e1vel tamb\u00e9m saberia com maior certeza se o tratamento da pneumonia na paciente de 77 anos de idade seria no seu melhor interesse ou se deveria ser feita uma mudan\u00e7a para uma situa\u00e7\u00e3o de cuidados de conforto.<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Cassel EJ: N Engl J Med 1982; 306: 639-645.<\/li>\n<li>Bagheri A, (ed.): Futilidade m\u00e9dica: Um estudo transnacional. Imprensa do Imperial College: Londres, 2014.<\/li>\n<li>Larkin GL, et al: Ressuscita\u00e7\u00e3o 2010; 81: 302-311.<\/li>\n<li>Levy PD, et al: Circ Heart Fail 2009; 2: 572-581.<\/li>\n<li>Myrianthefs P, et al: J de BUON 2010; 15: 25-28.<\/li>\n<li>Stiggelbout AM, et al: BMJ 2012; 344: e256.<\/li>\n<li>Krones T: Rela\u00e7\u00f5es entre pacientes e equipas de tratamento\/cuidados e tomada de decis\u00f5es partilhada. Em Marckmann G (ed.): Praxishandbuch Ethik in der Medizin. Medizinisch-Wissenschaftliche Verlagsgesellschaft, Berlim (no prelo).<\/li>\n<li>Stacey D, et al: Cochrane Database Syst Rev 2014; 1: CD001431.<\/li>\n<li>Juliusson G: Clin Lymphoma Myeloma Leuk 2011; 11 Suppl 1: S54-59.<\/li>\n<li>Kantarjian H, et al: Blood 2010; 116: 4422-4429.<\/li>\n<li>Temel JS, et al: N Engl J Med 2010; 363(8): 733-742.<\/li>\n<li>Davis MP, et al: Ann Palliat Med 2015; 4(3): 99-121.<\/li>\n<li>Marckmann G, In der Schmitten J: Zschr Med Ethik 2014; 59: 213-227.<\/li>\n<li>Butler M, et al: Ann Intern Med 2014; 161: 408-418.<\/li>\n<li>Directriz S3, Cuidados paliativos para doentes com cancro n\u00e3o cur\u00e1vel. Maio de 2015&nbsp; N\u00famero de registo AWMF: 128\/001OL.<\/li>\n<li>Julgamento da MAPS: www.nfp67.ch\/D\/projekte\/entscheidungen-motive-haltungen\/planung-des-lebensendes\/Seiten\/default.aspx.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>InFo ONCOLOGy &amp; HEMATOLOGy 2015; 14(5): 14-17<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Podem surgir conflitos \u00e9ticos na determina\u00e7\u00e3o de um tratamento quando existem diferentes pontos de vista sobre objectivos terap\u00eauticos exequ\u00edveis e razo\u00e1veis. O primeiro passo de um tratamento eticamente bem fundamentado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":53108,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","cat_1_feature_home_top":false,"cat_2_editor_pick":false,"csco_eyebrow_text":"Leucemia aguda em doentes idosos","footnotes":"","_members_access_role":[],"_members_access_error":""},"category":[11524,11360,11365,11379,11450,11551],"tags":[44528,44538,44534,20862,34971,44520,11805],"powerkit_post_featured":[],"class_list":["post-342540","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-formacao-continua","category-geriatria-pt-pt","category-hematologia-pt-pt","category-oncologia-pt-pt","category-pediatria-pt-pt","category-rx-pt","tag-alt-pt-pt","tag-aspectos","tag-etico","tag-leucemia-pt-pt","tag-pacientes-mais-velhos","tag-planeamento-de-cuidados-avancados","tag-terapia-pt-pt","pmpro-has-access"],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"2026-07-28 19:57:59","action":"change-status","newStatus":"draft","terms":[],"taxonomy":"category","extraData":[]},"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"wpml_current_locale":"pt_PT","wpml_translations":{"es_ES":{"locale":"es_ES","id":342556,"slug":"aspectos-eticos-de-las-decisiones-terapeuticas-y-la-planificacion-anticipada-de-cuidados","post_title":"Aspectos \u00e9ticos de las decisiones terap\u00e9uticas y la planificaci\u00f3n anticipada de cuidados","href":"https:\/\/medizinonline.com\/es\/aspectos-eticos-de-las-decisiones-terapeuticas-y-la-planificacion-anticipada-de-cuidados\/"}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/342540","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=342540"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/342540\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=342540"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/category?post=342540"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=342540"},{"taxonomy":"powerkit_post_featured","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/powerkit_post_featured?post=342540"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}