{"id":343392,"date":"2015-05-04T01:02:21","date_gmt":"2015-05-03T23:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/a-gordura-visceral-como-mediador\/"},"modified":"2023-01-18T21:54:36","modified_gmt":"2023-01-18T20:54:36","slug":"a-gordura-visceral-como-mediador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/a-gordura-visceral-como-mediador\/","title":{"rendered":"A gordura visceral como mediador"},"content":{"rendered":"<p><strong>At\u00e9 agora, quando estudos epidemiol\u00f3gicos investigavam a rela\u00e7\u00e3o entre obesidade e neoplasia colorrectal, utilizavam geralmente o \u00edndice de massa corporal (IMC) e a circunfer\u00eancia abdominal. Estes dois par\u00e2metros n\u00e3o distinguem entre gordura adiposa visceral e subcut\u00e2nea, que pode ser problem\u00e1tica, uma vez que o tecido adiposo visceral, em particular, \u00e9 considerado como sendo o principal respons\u00e1vel por dist\u00farbios hormonais e metab\u00f3licos e carcinog\u00e9nese colorrectal.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Foi publicado um estudo nos Anais de Oncologia que investigou a associa\u00e7\u00e3o entre tecido adiposo visceral e adenomas colorrectais [1]. Este tecido tem valor como factor de risco independente juntamente com o IMC, a circunfer\u00eancia abdominal e a gordura subcut\u00e2nea?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o foi abordada com uma meta-an\u00e1lise que incluiu doze estudos observacionais (ou seja, estudos de caso-controlo, estudos de coorte ou estudos transversais). Todos eles trataram da liga\u00e7\u00e3o entre a gordura visceral e os adenomas. A partir disto, os autores calcularam o odds ratio.<\/p>\n<h2 id=\"ligacao-clara-mostrada\">Liga\u00e7\u00e3o clara mostrada<\/h2>\n<p>Globalmente, verificou-se que cada aumento de 25 <sup>cm2<\/sup> no volume de tecido adiposo visceral aumentou o risco de adenomas colorrectais em 13% (OR 1,13, 95%CI 1,05-1,21; 6 estudos; 2776 casos). Foi encontrado um aumento consider\u00e1vel do risco de 98% quando o volume de 150 <sup>cm2<\/sup> foi comparado com o de 30 <sup>cm2<\/sup> (1,98, 95%CI 1,75-2,24). A associa\u00e7\u00e3o positiva entre tecido adiposo visceral e adenomas permaneceu significativa mesmo quando IMC, circunfer\u00eancia abdominal e gordura subcut\u00e2nea foram inclu\u00eddos no c\u00e1lculo. Pelo contr\u00e1rio, verificou-se que o tecido visceral como mediador atenuava substancialmente a associa\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas factores restantes e os adenomas.<br \/>\nTamb\u00e9m interessante: atrav\u00e9s dos estudos examinados, a associa\u00e7\u00e3o entre tecido adiposo visceral e adenomas avan\u00e7ados foi significativamente mais forte do que a associa\u00e7\u00e3o com formas n\u00e3o avan\u00e7adas.<\/p>\n<h2 id=\"determinar-o-imc-e-o-perimetro-abdominal\">Determinar o IMC e o per\u00edmetro abdominal<\/h2>\n<p>Os autores concluem que o tecido visceral pode ser o mediador chave para explicar a associa\u00e7\u00e3o observada entre IMC, per\u00edmetro abdominal e adenomas. Se mesmo assim se quiser trabalhar com estes factores na pr\u00e1tica cl\u00ednica (o levantamento directo da massa gorda visceral por meio de TC ou RM, por exemplo, \u00e9 moroso e dispendioso), deve-se utilizar ambos porque juntos reflectem melhor o tecido adiposo visceral e podem assim identificar os indiv\u00edduos com um risco acrescido de neoplasia colorrectal.<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Keum N, et al.: Visceral Adiposity and Colorectal Adenomas: Dose-Response Meta-Analysis of Observational Studies. Ann Oncol 2014. doi: 10.1093\/annonc\/mdu563. Publicado pela primeira vez em linha: 5 de Dezembro de 2014.<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>InFo ONCOLOGy &amp; HEMATOLOGy 2015; 3(3-4): 2<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 agora, quando estudos epidemiol\u00f3gicos investigavam a rela\u00e7\u00e3o entre obesidade e neoplasia colorrectal, utilizavam geralmente o \u00edndice de massa corporal (IMC) e a circunfer\u00eancia abdominal. 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