{"id":343510,"date":"2015-04-12T02:00:00","date_gmt":"2015-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/infertilidade-como-factor-de-risco-relevante\/"},"modified":"2015-04-12T02:00:00","modified_gmt":"2015-04-12T00:00:00","slug":"infertilidade-como-factor-de-risco-relevante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/infertilidade-como-factor-de-risco-relevante\/","title":{"rendered":"Infertilidade como factor de risco relevante"},"content":{"rendered":"<p><strong>A infertilidade masculina \u00e9 um pren\u00fancio de cancro? A situa\u00e7\u00e3o dos dados n\u00e3o \u00e9 clara. V\u00e1rios estudos demonstraram que existe um risco mais elevado de cancro testicular, mas a liga\u00e7\u00e3o com outros tumores ainda est\u00e1 aberta. Por conseguinte, os investigadores norte-americanos empreenderam um estudo de coorte no qual compararam a incid\u00eancia de diferentes tipos de cancro em homens inf\u00e9rteis e f\u00e9rteis. Os resultados s\u00e3o surpreendentes na sua clareza.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, n\u00e3o \u00e9 surpreendente que os processos gen\u00e9ticos estejam envolvidos em doen\u00e7as reprodutivas, o que tamb\u00e9m pode contribuir para o desenvolvimento de tumores malignos &#8211; tanto em mulheres como em homens.<\/p>\n<p>Os investigadores de um estudo publicado no Journal of Urology analisaram a fertilidade e o risco de cancro nos homens a partir de uma base de dados de seguros (entre 2001 e 2009) [1]. No total, foram comparados tr\u00eas grupos:<\/p>\n<ul>\n<li>76.083 homens, em m\u00e9dia 35,1 anos de idade, com um diagn\u00f3stico suspeito ou confirmado de infertilidade (com casos confirmados formando a clara maioria).<\/li>\n<li>112.655 homens que tinham sido submetidos a uma vasectomia. Pode-se, portanto, presumir que tinham sido anteriormente f\u00e9rteis.<\/li>\n<li>760.830 homens do grupo de controlo que n\u00e3o eram inf\u00e9rteis nem tinham feito uma vasectomia.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 id=\"numerosos-tipos-de-cancro-investigados\">Numerosos tipos de cancro investigados<\/h2>\n<p>A incid\u00eancia do cancro foi avaliada \u00e0 luz de dados de todas as normas nacionais. Globalmente e em todos os tipos de cancro, era mais elevado nos tr\u00eas coortes do que nos homens da mesma idade do registo dos EUA. O per\u00edodo de observa\u00e7\u00e3o foi de tr\u00eas anos. Em termos de taxa de eventos, os homens inf\u00e9rteis apresentavam um risco significativamente mais elevado de cancro do que os grupos de controlo e vasectomia. Globalmente, a taxa de incid\u00eancia para todos os tipos de cancro examinados foi aumentada para quase metade em compara\u00e7\u00e3o com o grupo de controlo. Notavelmente, a diferen\u00e7a n\u00e3o foi observada apenas no cancro testicular (aumento de 99% na taxa), mas tamb\u00e9m no linfoma de (n\u00e3o)Hodgkin, por exemplo. Al\u00e9m disso, carcinomas da pr\u00f3stata, bexiga e tir\u00f3ide, bem como melanomas ou leucemias tamb\u00e9m ocorreram significativamente mais frequentemente.<\/p>\n<h2 id=\"diferenca-entre-vasectomia-e-infertilidade\">Diferen\u00e7a entre vasectomia e infertilidade<\/h2>\n<p>O grupo de homens ap\u00f3s a vasectomia tamb\u00e9m teve taxas de cancro mais elevadas do que o grupo de controlo, o que, segundo os autores, poderia dever-se ao facto de estes homens utilizarem mais frequentemente o sistema de sa\u00fade e receberem assim um diagn\u00f3stico tumoral mais precoce. Uma diferencia\u00e7\u00e3o entre vasectomia e infertilidade \u00e9 apoiada pelo facto de os homens inf\u00e9rteis ainda desenvolverem o cancro com mais frequ\u00eancia do que os que se seguem \u00e0 vasectomia. As diferen\u00e7as mais evidentes foram observadas no cancro testicular e no linfoma n\u00e3o-Hodgkin.<\/p>\n<h2 id=\"onde-esta-a-ligacao\">Onde est\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Os autores sublinham que os resultados s\u00e3o interessantes porque ligam tipos muito diferentes de cancro \u00e0 infertilidade. No entanto, a rela\u00e7\u00e3o exacta e a causalidade n\u00e3o \u00e9 clara e a investiga\u00e7\u00e3o futura tem de se concentrar nisto. Os dados retrospectivos s\u00e3o insuficientes neste contexto. As explica\u00e7\u00f5es conceb\u00edveis seriam, por exemplo, altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que poderiam ter consequ\u00eancias tanto reprodutivas como n\u00e3o reprodutivas. Os factores de risco comuns podem tamb\u00e9m desempenhar um papel, ou a infertilidade pode ser o resultado de um cancro de outro modo escondido.<\/p>\n<p>Literatura:<\/p>\n<ol>\n<li>Eisenberg ML, et al: Aumento do risco de cancro em homens inf\u00e9rteis: An\u00e1lise dos dados das reivindica\u00e7\u00f5es dos EUA. Publicado online: 14 de Novembro de 2014. DOI:. http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/j.juro.2014.11.080<\/li>\n<\/ol>\n<p><em>InFo ONCOLOGy &amp; HEMATOLOGy 2015; 3(2): 3<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infertilidade masculina \u00e9 um pren\u00fancio de cancro? A situa\u00e7\u00e3o dos dados n\u00e3o \u00e9 clara. 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