{"id":346256,"date":"2014-02-12T00:00:00","date_gmt":"2014-02-11T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/e-quanto-as-provas\/"},"modified":"2014-02-12T00:00:00","modified_gmt":"2014-02-11T23:00:00","slug":"e-quanto-as-provas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/e-quanto-as-provas\/","title":{"rendered":"E quanto \u00e0s provas?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Na verdade, \u00e9 do conhecimento geral que o desporto tem um efeito positivo na nossa sa\u00fade e tamb\u00e9m pode ajudar nas doen\u00e7as. No entanto, isto ainda \u00e9 muito pouco ensinado nas institui\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica decisivas e insuficientemente aplicado na pr\u00e1tica. O objectivo aqui \u00e9 apresentar uma publica\u00e7\u00e3o que examine a influ\u00eancia do treino f\u00edsico na patog\u00e9nese, sintomas, aptid\u00e3o f\u00edsica e qualidade de vida de uma forma clara e, acima de tudo, altamente cient\u00edfica.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Em v\u00e1rios aspectos, a medicina desportiva \u00e9 um campo complexo. No entanto, n\u00e3o \u00e9 demasiado simplista consider\u00e1-lo como a interface entre a medicina e o desporto, onde ambos os campos beneficiam das caracter\u00edsticas &#8220;biol\u00f3gicas&#8221; do outro. Este \u00e9 classicamente o caso dos desportistas, que beneficiam dos constantes avan\u00e7os diagn\u00f3sticos e terap\u00eauticos na medicina. No entanto, isto tamb\u00e9m se aplica na direc\u00e7\u00e3o oposta: menos conhecido, ou pelo menos menos menos tido em conta na pr\u00e1tica m\u00e9dica di\u00e1ria, \u00e9 o facto de muitos pacientes poderem retirar benef\u00edcios dos efeitos extraordinariamente diversos, por vezes inimagin\u00e1veis, do desporto.<\/p>\n<p>Hoje queremos olhar mais de perto para este lado menos conhecido, em que uma quest\u00e3o de defini\u00e7\u00e3o tem primeiro de ser esclarecida.<\/p>\n<h2 id=\"o-que-e-o-desporto-e-porque-e-que-ele-nos-beneficia\">O que \u00e9 o desporto e porque \u00e9 que ele nos beneficia?<\/h2>\n<p>Por desporto entendemos a actividade f\u00edsica medida, controlada e sensata e, claro, n\u00e3o as formas intensas de treino utilizadas no desporto de competi\u00e7\u00e3o. Apesar de j\u00e1 existirem relat\u00f3rios convincentes sobre o &#8220;High Intensity Interval Training&#8221; (HIIT) na reabilita\u00e7\u00e3o de doentes card\u00edacos! Por exemplo, um jornal publicou recentemente a manchete: &#8220;Treino de alta intensidade em intervalos tamb\u00e9m para insufici\u00eancia card\u00edaca &#8211; Quem beneficia do r\u00e1pido refor\u00e7o do mioc\u00e1rdio e da circula\u00e7\u00e3o? O artigo salienta tamb\u00e9m o importante papel da monitoriza\u00e7\u00e3o e apela a mais estudos que testem a viabilidade do HIIT em doentes card\u00edacos e discutam os efeitos a longo prazo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 numerosos outros artigos da imprensa m\u00e9dica que manchem o tema. Alguns afirmam: &#8220;Correr melhora a vis\u00e3o&#8221;, &#8220;Desporto contra alta press\u00e3o: 20 mmHg \u00e9 f\u00e1cil&#8221;, &#8220;Treino de resist\u00eancia \u00e9 bom para pessoas com insufici\u00eancia card\u00edaca&#8221;. Os outros afirmam: &#8220;Mesmo que os pulm\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o gostem muito, o exerc\u00edcio \u00e9 importante&#8221; ou &#8220;A actividade f\u00edsica fortalece os ossos&#8221;.<\/p>\n<p>Os efeitos positivos sobre os factores cognitivos e emocionais s\u00e3o tamb\u00e9m relatados: &#8220;Prevenir o decl\u00ednio cognitivo: mais argumentos a favor da actividade f\u00edsica&#8221;, &#8220;Os efeitos do treino f\u00edsico sobre os sintomas de ansiedade&#8221;, &#8220;O exerc\u00edcio regular faz crescer novas c\u00e9lulas cerebrais&#8221;, &#8220;Jogging for the grey matter&#8221;, at\u00e9 trocadilhos como &#8220;Mais forte, mais saud\u00e1vel, mais inteligente: o poder curativo do desporto&#8221;.<\/p>\n<p>Quase todas as doen\u00e7as parecem ser positivamente influenci\u00e1veis com o desporto controlado:&nbsp;  &#8220;A actividade f\u00edsica \u00e9 uma das principais terapias para a diabetes tipo 2&#8221;, &#8220;A actividade f\u00edsica reduz a mortalidade no cancro da pr\u00f3stata&#8221;, &#8220;Poderes contra a fadiga em doentes com cancro&#8221;, &#8220;A actividade f\u00edsica intensa revela-se eficaz na psor\u00edase&#8221; e &#8220;Na doen\u00e7a de Parkinson, o exerc\u00edcio suave melhora a capacidade de caminhar&#8221;.<\/p>\n<p>Fala-se tamb\u00e9m de efeitos positivos na vida sexual (&#8220;Agachamentos mant\u00eam a erec\u00e7\u00e3o&#8221;) e o desporto \u00e9 mesmo visto como uma medida que prolonga a vida (&#8220;Treino f\u00edsico: apenas 15 minutos por dia aumenta a esperan\u00e7a de vida&#8221;).<\/p>\n<h2 id=\"existe-alguma-prova\">Existe alguma prova?<\/h2>\n<p>Embora a maioria destas declara\u00e7\u00f5es espectaculares se baseie em investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas s\u00e9rias, nem todas elas foram reproduzidas e testadas por outros grupos de investiga\u00e7\u00e3o.<br \/>\nIsto \u00e9 diferente no n\u00famero especial 1 do Scandinavian Journal of Medicine&amp;Science in Sports (Vol 16, Fevereiro de 2006), que vale bem a pena ler. Neste excelente trabalho, os autores B.K. Pedersen e B. Saltin examinou meticulosamente as provas de prescri\u00e7\u00e3o de actividade f\u00edsica como terapia para doen\u00e7as cr\u00f3nicas na literatura e compilou os antecedentes cient\u00edficos, a base racional do exerc\u00edcio, como fazer exerc\u00edcio e conselhos pr\u00e1ticos sobre como fazer exerc\u00edcio em 18 patologias diferentes. Foram analisadas doen\u00e7as metab\u00f3licas como a resist\u00eancia \u00e0 insulina, diabetes tipo 2, diabetes tipo 1, dislipidemia e obesidade, doen\u00e7as cardiovasculares como a hipertens\u00e3o, doen\u00e7a coron\u00e1ria, insufici\u00eancia card\u00edaca cr\u00f3nica e claudica\u00e7\u00e3o intermitente, doen\u00e7as pulmonares como a asma e DPOC, mas tamb\u00e9m problemas do sistema m\u00fasculo-esquel\u00e9tico como a artrose, artrite reumat\u00f3ide, osteoporose e mesmo fibromialgia e &#8220;s\u00edndrome da fadiga cr\u00f3nica&#8221;. Foi tamb\u00e9m analisado o efeito do exerc\u00edcio sobre o cancro e a depress\u00e3o.<br \/>\nPara cada doen\u00e7a, a evid\u00eancia do efeito da actividade f\u00edsica sobre a patog\u00e9nese, sobre os sintomas t\u00edpicos da doen\u00e7a, sobre a aptid\u00e3o f\u00edsica alcan\u00e7ada e sobre a qualidade de vida \u00e9 apresentada numa tabela muito clara.<\/p>\n<h2 id=\"hipertensao-arterial-copd-asma\">Hipertens\u00e3o arterial, COPD, asma<\/h2>\n<p>Por exemplo, de acordo com este artigo, o exerc\u00edcio mostra consistentemente fortes provas de efeito sobre a patog\u00e9nese, sintomas, aptid\u00e3o f\u00edsica e qualidade de vida na hipertens\u00e3o. O mesmo se aplica \u00e0 doen\u00e7a COPD com excep\u00e7\u00e3o da patog\u00e9nese: aqui n\u00e3o h\u00e1 qualquer prova at\u00e9 agora de que o exerc\u00edcio tenha um efeito positivo.<\/p>\n<p>Isto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 confirmado para a asma. Contudo, a forma\u00e7\u00e3o tem provas limitadas sobre os sintomas, provas moderadas sobre a qualidade de vida e provas fortes sobre a aptid\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n<h2 id=\"o-desporto-e-o-melhor-remedio\">O desporto \u00e9 o melhor rem\u00e9dio<\/h2>\n<p>Deve ser novamente real\u00e7ado: Esta vis\u00e3o aparentemente optimista da elevada efic\u00e1cia da actividade f\u00edsica baseia-se em provas cient\u00edficas muito fortes e, na verdade, h\u00e1 que ficar bastante surpreendido com o facto de estes resultados n\u00e3o serem mais claramente ensinados e, sobretudo, n\u00e3o serem aplicados com maior frequ\u00eancia na pr\u00e1tica quotidiana. Com base em certos estudos e para certas formas de doen\u00e7a, foi mesmo demonstrado que o exerc\u00edcio \u00e9 mais eficiente do que a terapia convencional! Sem falar de pre\u00e7o e efeitos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>Cinco anos ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o, pode argumentar-se que as provas se tornaram, quando muito, ainda melhores, o que defende outras indica\u00e7\u00f5es, tais como as do campo neuro-cognitivo.<\/p>\n<p>\u00c9 de grande import\u00e2ncia que num futuro pr\u00f3ximo a arte de prescrever actividade f\u00edsica encontre o lugar que merece na medicina: &#8220;Se o exerc\u00edcio pudesse ser embalado num comprimido, seria o medicamento mais amplamente prescrito e ben\u00e9fico na na\u00e7\u00e3o. Se ao menos os m\u00e9dicos estivessem cientes deste facto&#8221;! Voltaremos a este assunto.<\/p>\n<p><em>PR\u00c1TICA DO GP 2014; 9(2): 5-6<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na verdade, \u00e9 do conhecimento geral que o desporto tem um efeito positivo na nossa sa\u00fade e tamb\u00e9m pode ajudar nas doen\u00e7as. 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