{"id":346791,"date":"2013-10-25T00:00:00","date_gmt":"2013-10-24T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/promover-a-capacidade-de-lidar-com-a-propria-doenca\/"},"modified":"2013-10-25T00:00:00","modified_gmt":"2013-10-24T22:00:00","slug":"promover-a-capacidade-de-lidar-com-a-propria-doenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/promover-a-capacidade-de-lidar-com-a-propria-doenca\/","title":{"rendered":"Promover a capacidade de lidar com a pr\u00f3pria doen\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><strong>Na Medidays deste ano em Zurique, v\u00e1rios especialistas das \u00e1reas da psicoterapia e da psicossom\u00e1tica falaram sobre o potencial desta forma de terapia, por exemplo, no tratamento de doentes cr\u00f3nicos ou de pessoas que apresentam sintomas psicossom\u00e1ticos devido a experi\u00eancias traumatizantes de guerra ou de tortura. Especialmente o m\u00e9dico de fam\u00edlia como primeira pessoa de contacto para tais doen\u00e7as deve ser bem informado sobre as possibilidades e limites do tratamento de sa\u00fade mental.<\/strong><\/p>\n<p> <!--more--> <\/p>\n<p>Embora a psicoeduca\u00e7\u00e3o esteja ancorada como padr\u00e3o nas directrizes, de acordo com o Prof. Dr. med. Michael Rufer, Departamento de Psiquiatria e Psicoterapia do Hospital Universit\u00e1rio de Zurique, a sua aplica\u00e7\u00e3o fica muito aqu\u00e9m das recomenda\u00e7\u00f5es. &#8220;Esta forma de tratamento tem um grande potencial. O principal objectivo da psicoeduca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas transmitir informa\u00e7\u00e3o relacionada com a doen\u00e7a ou poss\u00edveis estrat\u00e9gias terap\u00eauticas, mas tamb\u00e9m ir al\u00e9m desta primeira fase e ensinar as pessoas a influenciarem a sua pr\u00f3pria sa\u00fade. O objectivo \u00e9, entre outras coisas, a regula\u00e7\u00e3o activa do stress e o funcionamento da gest\u00e3o de crises&#8221;.<\/p>\n<p>Bons modelos explicativos do curso e dos sintomas de uma doen\u00e7a s\u00e3o cruciais para o sucesso. Devem ser compreens\u00edveis e convincentes e n\u00e3o devem estigmatizar o doente, devendo antes deixar espa\u00e7o para o conte\u00fado individual. As abordagens de coping podem assim ser especificamente promovidas. &#8220;Por exemplo, recomendo aos m\u00e9dicos de cl\u00ednica geral a chamada biblioterapia: tanto o m\u00e9dico como o paciente leiam um bom livro de auto-ajuda e discutam o conte\u00fado passo a passo&#8221;, explicou o Prof. Rufer.<\/p>\n<p>Claro que a psicoeduca\u00e7\u00e3o, como todas as abordagens terap\u00eauticas, tamb\u00e9m acarreta riscos. Em particular, o doente pode sentir-se sobrecarregado ou achar o conhecimento da sua doen\u00e7a psicologicamente stressante. Tamb\u00e9m \u00e9 conceb\u00edvel que ao lidar com os seus problemas como express\u00e3o de uma doen\u00e7a, ele entra num estado passivo de aceita\u00e7\u00e3o. Por conseguinte, \u00e9 ainda mais importante que a psicoeduca\u00e7\u00e3o seja individualizada e activada.<\/p>\n<h2 id=\"lidar-com-traumas-de-guerra\">Lidar com traumas de guerra<\/h2>\n<p>Estima-se que at\u00e9 150.000 pessoas que foram v\u00edtimas de tortura ou experi\u00eancias de guerra traumatizantes vivem na Su\u00ed\u00e7a. As guerras na B\u00f3snia e no Kosovo em particular desencadearam ondas de refugiados entre 1992 e 1999. Muitas destas pessoas traumatizadas pela guerra e tortura n\u00e3o aparecem como pacientes no sistema de sa\u00fade. Mesmo aqueles com problemas f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos geralmente n\u00e3o se v\u00eaem como v\u00edtimas de tortura ou de guerra. Ao inv\u00e9s, concentram-se em dificuldades psicossociais e socioecon\u00f3micas relacionadas com o direito de resid\u00eancia, isolamento social, desenraizamento, desemprego ou falta de perspectivas econ\u00f3micas. Precisamente porque estas pessoas raramente recorrem a um psiquiatra, o papel do m\u00e9dico de fam\u00edlia e a sua sensibilidade ao trauma torna-se mais relevante. Dr. Thomas Maier, m\u00e9dico chefe do Servi\u00e7o Psiqui\u00e1trico Cantonal de St. Gallen, por conseguinte, aponta sete princ\u00edpios importantes para a pr\u00e1tica:<\/p>\n<ol>\n<li>No caso de certos pa\u00edses de origem e biografias, pensar na possibilidade de guerra e traumatiza\u00e7\u00e3o por tortura.<\/li>\n<li>Deixe-os dizer-lhe, n\u00e3o os interrogue.<\/li>\n<li>Apreciar ou valorizar a hist\u00f3ria de vida. N\u00e3o relativizar ou banalizar, n\u00e3o levantar d\u00favidas. \u00c9 preciso tentar compreender que estas pessoas j\u00e1 experimentaram coisas que lhe parecem inconceb\u00edveis.<\/li>\n<li>Levar os sintomas a s\u00e9rio e clarific\u00e1-los com precis\u00e3o. Se for necess\u00e1rio, providenciar exames adicionais, mas n\u00e3o se deixe cair em ac\u00e7\u00f5es her\u00f3icas. N\u00e3o procure a solu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e total para o problema.<\/li>\n<li>Elaborar um modelo explicativo adequado em conjunto com o paciente. Na sua maioria, o modelo de &#8220;mem\u00f3ria corporal&#8221; \u00e9 bem compreendido (o corpo consegue lembrar-se da dor mesmo que a cabe\u00e7a a tenha esquecido). Evite termos com a palavra &#8220;psicopata&#8221; a todo o custo, pois estes t\u00eam conota\u00e7\u00f5es muito negativas em muitos pa\u00edses dos Balc\u00e3s.<\/li>\n<li>Oferecer rela\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e autenticidade.<\/li>\n<li>Para al\u00e9m do trauma, ter em conta a situa\u00e7\u00e3o real da vida actual (problemas de migra\u00e7\u00e3o).<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 id=\"como-lidar-com-as-doencas-cronicas\">Como lidar com as doen\u00e7as cr\u00f3nicas?<\/h2>\n<p>O \u00faltimo orador foi a Prof\u00aa. Dra. Med. Silke Bachmann, Directora M\u00e9dica da Clienia Littenheld AG, que perguntou com que problemas e fardos as pessoas doentes cr\u00f3nicos t\u00eam de lidar. Antes de mais, \u00e9 claro, h\u00e1 o facto de a doen\u00e7a ser em grande parte irrevers\u00edvel ou mesmo progressiva. Como \u00e9 que o doente lida com isso? Como \u00e9 que ele lida com a constante depend\u00eancia de especialistas m\u00e9dicos? Em qualquer caso, a integridade f\u00edsica sofre no caso de uma doen\u00e7a cr\u00f3nica, e o desempenho pessoal diminui. Al\u00e9m disso, a imprevisibilidade do curso da doen\u00e7a e a repetida separa\u00e7\u00e3o espacial dos familiares (hospitaliza\u00e7\u00e3o) significa um grande fardo. As preocupa\u00e7\u00f5es com o futuro privado e profissional entram em jogo.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui, o m\u00e9dico deve perguntar especificamente sobre a experi\u00eancia subjectiva e avalia\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e promover ou aumentar a auto-compet\u00eancia. O desespero e a vergonha em particular, mas tamb\u00e9m o n\u00e3o querer admiti-lo, devem ser abordados directamente. O objectivo \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o para os recursos individuais, por exemplo, atrav\u00e9s das perguntas: Quando \u00e9 que alguma vez conseguiu mudar alguma coisa? Como \u00e9 que o fez? Quem o ajudou a faz\u00ea-lo? De que precisava para o fazer? Quem e o que o pode ajudar hoje?&#8221;, diz o Prof. Bachmann. O apoio m\u00e9dico cont\u00ednuo permite apreciar o que foi alcan\u00e7ado, o que, por sua vez, \u00e9 importante para a motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o, poss\u00edveis interven\u00e7\u00f5es incluem aconselhamento de apoio, grupos de auto-ajuda, aconselhamento de casal\/fam\u00edlia, t\u00e9cnicas de relaxamento, servi\u00e7os sociais, reabilita\u00e7\u00e3o, interven\u00e7\u00e3o em crise com ou sem drogas psicotr\u00f3picas, psicoterapia ou, se necess\u00e1rio, cuidados em fim de vida.<\/p>\n<p><em>Fonte: &#8220;Psiquiatria &#8211; Psicossom\u00e1tica&#8221;, Semin\u00e1rio em Medidays, 2-6 de Setembro de 2013, Zurique<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>PR\u00c1TICA DO GP 2013; 8(9): 46-47<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Medidays deste ano em Zurique, v\u00e1rios especialistas das \u00e1reas da psicoterapia e da psicossom\u00e1tica falaram sobre o potencial desta forma de terapia, por exemplo, no tratamento de doentes cr\u00f3nicos&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":38018,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","cat_1_feature_home_top":false,"cat_2_editor_pick":false,"csco_eyebrow_text":"Psicoeduca\u00e7\u00e3o e psicossom\u00e1tica","footnotes":""},"category":[11481,11529,11551],"tags":[60052,60040,31979,19387,30701,16990,16852,13068,60046],"powerkit_post_featured":[],"class_list":["post-346791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-psiquiatria-e-psicoterapia","category-relatorios-do-congresso","category-rx-pt","tag-chornish-pt-pt","tag-estrategia","tag-medidays-pt-pt","tag-psicoeducacao","tag-psicossomatica","tag-risco","tag-riscos","tag-saude","tag-trauma-de-guerra","pmpro-has-access"],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"2026-05-15 09:45:10","action":"change-status","newStatus":"draft","terms":[],"taxonomy":"category","extraData":[]},"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"wpml_current_locale":"pt_PT","wpml_translations":{"es_ES":{"locale":"es_ES","id":346800,"slug":"fomentar-las-habilidades-para-afrontar-la-propia-enfermedad","post_title":"Fomentar las habilidades para afrontar la propia enfermedad","href":"https:\/\/medizinonline.com\/es\/fomentar-las-habilidades-para-afrontar-la-propia-enfermedad\/"}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346791","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346791\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/category?post=346791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346791"},{"taxonomy":"powerkit_post_featured","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/powerkit_post_featured?post=346791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}