{"id":359315,"date":"2023-06-20T14:00:00","date_gmt":"2023-06-20T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/medizinonline.com\/destaques-actuais-descobertas-inovadoras-resultados-interessantes\/"},"modified":"2023-07-17T21:09:17","modified_gmt":"2023-07-17T19:09:17","slug":"destaques-actuais-descobertas-inovadoras-resultados-interessantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/destaques-actuais-descobertas-inovadoras-resultados-interessantes\/","title":{"rendered":"Destaques actuais, descobertas inovadoras, resultados interessantes"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>&#8220;A quintess\u00eancia da neuroci\u00eancia para o s\u00e9culo XXI&#8221; foi o lema da reuni\u00e3o de anivers\u00e1rio da <em>Academia Americana de Neurologia<\/em> &#8211; e o leque de temas fez jus a este slogan. Especialistas em neurologia de todo o mundo tiveram, mais uma vez, a oportunidade de partilhar as suas mais recentes descobertas cl\u00ednicas e conhecimentos sobre cuidados a doentes.  <\/strong><\/p>\n\n<!--more-->\n\n<p>As cadeias leves de neurofilamentos s\u00e9ricos (sNfL) s\u00e3o um marcador de danos neuronais na esclerose m\u00faltipla (EM). Estudos anteriores que examinaram o valor preditivo das medi\u00e7\u00f5es precoces do sNfL para a progress\u00e3o da incapacidade foram limitados pela considera\u00e7\u00e3o da actividade da RM. O objectivo de um estudo recente foi, por conseguinte, avaliar a associa\u00e7\u00e3o entre o sNfL e a progress\u00e3o da doen\u00e7a numa coorte de indiv\u00edduos com esclerose m\u00faltipla recorrente-remitente (EMRR) inicial, controlando a actividade cl\u00ednica e radiol\u00f3gica [1]. Este estudo transversal analisou a rela\u00e7\u00e3o entre (a) A progress\u00e3o da incapacidade desde a fase inicial at\u00e9 ao terceiro ano; e (b) do sNfL medido no terceiro ano no \u00e2mbito do RADIEMS, um estudo de coorte longitudinal prospectivo que incluiu participantes pouco tempo ap\u00f3s o diagn\u00f3stico de EM (&lt;5 anos). A progress\u00e3o da incapacidade foi definida pelo aumento do EDSS em tr\u00eas estratos desde a linha de base at\u00e9 ao seguimento de tr\u00eas anos. Ap\u00f3s a modela\u00e7\u00e3o linear generalizada, ajustando o sNfL para a idade, o tempo decorrido desde o diagn\u00f3stico e a actividade inflamat\u00f3ria interm\u00e9dia (recorr\u00eancia ou actividade de RMN), os testes n\u00e3o param\u00e9tricos (utilizando o SPSS) avaliaram as diferen\u00e7as no sNfL entre os doentes com e sem progress\u00e3o da incapacidade. O EDSS piorou em 29 (26,9%) doentes. Os n\u00edveis s\u00e9ricos de NfL ajustados para a idade e o tempo decorrido desde o diagn\u00f3stico foram mais elevados nos doentes com exacerba\u00e7\u00e3o do EDSS do que nos doentes sem exacerba\u00e7\u00e3o do EDSS: mediana (IQR), 9,39 pg\/ml vs. 6,81 pg\/ml. O ajuste adicional para a actividade inflamat\u00f3ria interm\u00e9dia revelou n\u00edveis ainda mais elevados de sNFL em doentes com e sem exacerba\u00e7\u00e3o do EDSS: 8,54 pg\/ml vs. 6,86 pg\/ml. A magnitude da altera\u00e7\u00e3o bruta do EDSS em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linha de base tamb\u00e9m se correlacionou com n\u00edveis mais elevados de sNfL, tanto ajustados como n\u00e3o ajustados para a actividade inflamat\u00f3ria interm\u00e9dia. A medi\u00e7\u00e3o do NfL s\u00e9rico no in\u00edcio do curso da EMRR correlacionou-se com o agravamento do EDSS, mesmo quando a actividade cl\u00ednica e radiol\u00f3gica foi controlada. Isto sugere que o sNfL desempenha um papel na identifica\u00e7\u00e3o de doentes com progress\u00e3o da incapacidade, independentemente da actividade na fase inicial da EM.<\/p>\n\n<h3 id=\"nao-esquecer-os-niveis-de-ferro-na-esclerose-multipla\" class=\"wp-block-heading\">N\u00e3o esquecer os n\u00edveis de ferro na esclerose m\u00faltipla<\/h3>\n\n<p>A acumula\u00e7\u00e3o de ferro \u00e9 uma caracter\u00edstica fundamental das les\u00f5es cronicamente activas &#8211; uma caracter\u00edstica fundamental da EM progressiva &#8211; e pode ser detectada por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica. Paralelamente, o perfil molecular da microglia associada \u00e0 les\u00e3o apoia a import\u00e2ncia dos genes envolvidos no metabolismo do ferro. No entanto, ainda n\u00e3o \u00e9 claro o papel que desempenham na progress\u00e3o da doen\u00e7a. Actualmente, t\u00eam sido estudados os efeitos de polimorfismos de nucle\u00f3tido \u00fanico (SNP) em genes envolvidos no metabolismo do ferro sobre o risco de desenvolver EM progressiva [2]. Para o efeito, foi efectuada uma an\u00e1lise de associa\u00e7\u00e3o de 37 794 SNP em 319 genes envolvidos no metabolismo do ferro. Os doentes benignos com uma evolu\u00e7\u00e3o recidivante (RR) foram comparados com os doentes com uma evolu\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria progressiva (SP). Verificou-se uma associa\u00e7\u00e3o significativa com SNPs no gene do factor induz\u00edvel pela hip\u00f3xia 1 alfa (HIF1A). Estudos anteriores demonstraram que o rs11621525_A regula negativamente a express\u00e3o de HIF1A no sangue total de indiv\u00edduos saud\u00e1veis. Este efeito foi reproduzido em c\u00e9lulas mononucleares do sangue perif\u00e9rico de 78 doentes com EM-RR. Al\u00e9m disso, foi investigada a concentra\u00e7\u00e3o de neurofilamentos (NFL), um marcador reconhecido da les\u00e3o axonal em curso e da inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica da subst\u00e2ncia branca. Os doentes com EM-RR que eram portadores do alelo A apresentavam n\u00edveis mais baixos de NFL, tanto no plasma como no LCR. As variantes gen\u00e9ticas do HIF1A est\u00e3o assim associadas ao risco de EM progressiva e influenciam os n\u00edveis de NFL. O HIF1A \u00e9 um regulador fundamental do metabolismo do ferro, da resposta \u00e0 hipoxia e dos processos imunit\u00e1rios, pelo que \u00e9 um candidato promissor para uma investiga\u00e7\u00e3o mais aprofundada.<\/p>\n\n<h3 id=\"avaliacao-da-marcha-como-rastreio-de-avc\" class=\"wp-block-heading\">Avalia\u00e7\u00e3o da marcha como rastreio de AVC<\/h3>\n\n<p>A National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS) \u00e9 menos significativa em doentes com acidente vascular cerebral de circula\u00e7\u00e3o posterior (AVC posterior) porque os sinais e sintomas relacionados com a fossa posterior n\u00e3o s\u00e3o considerados. Foi testada a hip\u00f3tese de que a associa\u00e7\u00e3o com a anormalidade objectiva da marcha (AGO) \u00e9 maior em doentes com SCP do que em doentes com AVC posterior, especialmente em doentes com vertigens ou anormalidade subjectiva da marcha (ASG) [3]. Foi efectuado um estudo de coorte de casos para determinar a probabilidade de OGA em doentes com SCP e m\u00edmicos e para comunicar os intervalos de confian\u00e7a (IC), a sensibilidade (SE), a especificidade (SP), o valor preditivo positivo (VPP) e o valor preditivo negativo (VPN). Os casos de SCP foram definidos como acidentes vasculares cerebrais isqu\u00e9micos agudos confinados ao territ\u00f3rio da art\u00e9ria cerebral posterior, da art\u00e9ria basilar ou da art\u00e9ria vertebral. Os m\u00edmicos foram definidos como doentes com tonturas agudas devidas a outras causas. Foram identificados 82 doentes com SCP e 104 m\u00edmicos cujo padr\u00e3o de marcha foi examinado \u00e0 chegada. A OGA foi documentada em 69\/82 (84,1%) casos de PCS versus 18\/104 (17,3%) m\u00edmicos. Estratificada por vertigem, a OGA foi documentada em 38\/44 (86%) casos de PCS versus 18\/104 (17,3%) m\u00edmicos. Estratificada por SGA, a OGA foi observada em 48\/52 (92%) casos de PCS versus 16\/74 (21,6%) m\u00edmicos. Os doentes com SCP tinham 25,4 vezes mais probabilidades de ter OGA do que os m\u00edmicos e 30,3 e 43,5 vezes mais probabilidades de ter OGA se fossem admitidos com vertigens ou SGA, respectivamente. Enquanto o SP e o PPV permaneceram baixos (&lt;90%), o NPV aumentou para 94% em pacientes com vertigem e SGA na admiss\u00e3o. O exame da marcha pode ser utilizado como uma ferramenta de rastreio com uma boa rela\u00e7\u00e3o custo-efic\u00e1cia para excluir a PCS na admiss\u00e3o.<\/p>\n\n<h3 id=\"telemedicina-para-a-doenca-de-parkinson\" class=\"wp-block-heading\">Telemedicina para a doen\u00e7a de Parkinson<\/h3>\n\n<p>As quedas na DP s\u00e3o muito comuns, com consequ\u00eancias devastadoras, pior qualidade de vida, maior comorbilidade e isolamento social. A telerreabilita\u00e7\u00e3o demonstrou efeitos promissores nos sintomas motores, mas a efic\u00e1cia de uma interven\u00e7\u00e3o multidisciplinar de telessa\u00fade, para al\u00e9m dos cuidados cl\u00ednicos habituais, nos sintomas n\u00e3o motores (SNM), na qualidade de vida e no estilo de vida n\u00e3o \u00e9 clara. O objectivo de um estudo foi investigar a efic\u00e1cia de um programa multidisciplinar de telemedicina (TM) para melhorar o estilo de vida, o peso dos sintomas motores e n\u00e3o motores e a qualidade de vida (QdV) em doentes com doen\u00e7a de Parkinson (DP) com elevado risco de quedas [4]. O grupo de estudo foi submetido a um programa multidisciplinar de MT e a cuidados habituais durante quatro meses e comparado com o grupo de controlo (visitas ao consult\u00f3rio, cuidados habituais). A TM incluiu terapia ocupacional, nutri\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o cl\u00ednica da DP. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o da MT, os dois grupos foram comparados ao fim de oito meses. Ap\u00f3s quatro meses, os doentes em tratamento com TM apresentaram melhorias no MDS-UPDRS II, Mini-Best, FOGQ, EuroHis-QoL8, LARS e BDI-II em compara\u00e7\u00e3o com os controlos. No final da MT, ap\u00f3s oito meses, as pontua\u00e7\u00f5es do FOG e do Mini-Best eram melhores no grupo da MT do que no grupo de controlo. Os resultados demonstram que uma interven\u00e7\u00e3o multidisciplinar da MT, juntamente com os cuidados habituais, melhora a marcha, a qualidade de vida e o NMS em doentes com DP com elevado risco de queda.<\/p>\n\n<h3 id=\"terapia-do-glioblastoma-em-doentes-idosos\" class=\"wp-block-heading\">Terapia do glioblastoma em doentes idosos<\/h3>\n\n<p>Os adultos mais velhos, com 65 anos ou mais, com glioblastoma (GBM) s\u00e3o vulner\u00e1veis ao sobretratamento, subtratamento e aumento da toxicidade. A avalia\u00e7\u00e3o geri\u00e1trica prev\u00ea a toxicidade em doentes com cancro, mas os dados em neuro-oncologia s\u00e3o limitados. Um estudo prospectivo incluiu 26 doentes idosos com GBM [5]. Preencheram um rastreio geri\u00e1trico G8 e uma avalia\u00e7\u00e3o geri\u00e1trica completa (CGA) antes do tratamento. Os m\u00e9dicos recomendaram o tratamento e avaliaram a toxicidade com base no seu julgamento cl\u00ednico e independentemente da GA. 77% dos doentes tinham uma pontua\u00e7\u00e3o G8 \u226414, indicando a necessidade de CGA. A terap\u00eautica orientada para a doen\u00e7a foi recomendada para todos os doentes. Dos doentes com G8 \u226414, 5% foram recomendados para um ensaio cl\u00ednico, 35% receberam seis semanas de radia\u00e7\u00e3o mais quimioterapia, 35% receberam tr\u00eas semanas de radia\u00e7\u00e3o mais quimioterapia e 25% receberam apenas tr\u00eas semanas de radia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve associa\u00e7\u00e3o entre a pontua\u00e7\u00e3o G8 ou os componentes da CGA e a recomenda\u00e7\u00e3o de tratamento. 54% sofriam de intoler\u00e2ncias ao tratamento. A toxicidade mais comum foi a fadiga, que exigiu uma altera\u00e7\u00e3o da dose de quimioterapia. A idade foi preditiva de intoler\u00e2ncia ao tratamento. As recomenda\u00e7\u00f5es de tratamento baseadas no julgamento cl\u00ednico foram independentes da avalia\u00e7\u00e3o geri\u00e1trica. Isto sugere que os profissionais n\u00e3o reconheceram as vulnerabilidades geri\u00e1tricas encontradas no G8 ou na CGA na maioria dos doentes idosos com GBM. A toxicidade do tratamento \u00e9 comum em doentes idosos com GBM e \u00e9 subestimada pelos m\u00e9dicos. Neste dom\u00ednio, \u00e9 necess\u00e1rio efectuar mais investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<h3 id=\"neuroinflamacao-nas-perturbacoes-do-espectro-do-autismo\" class=\"wp-block-heading\">Neuroinflama\u00e7\u00e3o nas perturba\u00e7\u00f5es do espectro do autismo<\/h3>\n\n<p>Embora a neuroinflama\u00e7\u00e3o seja considerada um dos principais componentes da perturba\u00e7\u00e3o do espectro do autismo (PEA) e da sua etiologia, o mecanismo molecular da doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 bem compreendido. Os avan\u00e7os na gen\u00f3mica e transcript\u00f3mica de uma \u00fanica c\u00e9lula levaram \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de novas vias que controlam as fun\u00e7\u00f5es astrocit\u00e1rias associadas a doen\u00e7as neuroinflamat\u00f3rias cr\u00f3nicas, como a esclerose m\u00faltipla (EM). Estes avan\u00e7os oferecem a oportunidade de investigar os mecanismos moleculares comuns envolvidos tanto na PEA como na EM e, em \u00faltima an\u00e1lise, de elucidar a etiologia da PEA. Um artigo analisou e caracterizou as subpopula\u00e7\u00f5es astrocit\u00e1rias comuns encontradas tanto na PEA como na EM [6]. Para tal, foram utilizados dados de express\u00e3o de RNA-seq de c\u00e9lula \u00fanica em grande escala recolhidos de amostras cerebrais post-mortem de indiv\u00edduos com PEA e EM. A an\u00e1lise revelou que a ferroptose mediada pelo stress oxidativo desempenha um papel distinto nas subpopula\u00e7\u00f5es de astr\u00f3citos patol\u00f3gicos. Esta descoberta permite colocar a hip\u00f3tese de que a sinaliza\u00e7\u00e3o de FTH1, SLC7A11, SAT1, CP, FTL e MAPK pode estar envolvida na fisiopatologia da PEA, o que poderia ser mais explorado como novos alvos de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<h3 id=\"desenvolvimento-dos-neuronios-somatossensoriais\" class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento dos neur\u00f3nios somatossensoriais<\/h3>\n\n<p>O sentido do tacto \u00e9 vital e depende de mecanorreceptores de baixo limiar (LTMRs). Os subtipos de LTMR caracterizados pela express\u00e3o embrion\u00e1ria precoce de Ntrk2 (TrkB) e Ret t\u00eam propriedades diferentes consoante a regi\u00e3o da pele que inervam &#8211; pele peluda ou glabra (sem p\u00ealos). Na pele glabra, os LTMRs TrkB+ e Ret+ formam corpos de Meissner, enquanto na pele peluda formam terminais alongados-lanceolados \u00e0 volta dos fol\u00edculos pilosos. Estas caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas reflectem as propriedades fisiol\u00f3gicas e as fun\u00e7\u00f5es especializadas destes neur\u00f3nios. As etapas de desenvolvimento que conduzem \u00e0s caracter\u00edsticas LTMR da pele sem p\u00ealos e com p\u00ealos s\u00e3o largamente desconhecidas, especialmente se s\u00e3o geneticamente pr\u00e9-especificadas ou se as interac\u00e7\u00f5es com diferentes regi\u00f5es-alvo da pele determinam as suas caracter\u00edsticas \u00fanicas. Experi\u00eancias de marca\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00fanica mostram que a especializa\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica dos LTMRs TrkB+ e Ret+ ocorre em momentos quase id\u00eanticos durante o desenvolvimento p\u00f3s-natal. Curiosamente, um estudo descobriu que os neur\u00f3nios individuais que terminam ao longo da fronteira entre a pele sem p\u00ealos e a pele com p\u00ealos, referidos como &#8220;neur\u00f3nios de fronteira&#8221;, t\u00eam ramos que formam tanto terminais lanceolados como terminais de corp\u00fasculos de Meissner [7].  <\/p>\n\n<p>Al\u00e9m disso, o perfil transcript\u00f3mico e as experi\u00eancias de RNAscope mostram que os neur\u00f3nios TrkB+ e Ret+ que inervam a pele glabra e a pele pilosa neonatal s\u00e3o transcriptamente semelhantes, embora distintos de outros tipos de neur\u00f3nios do GRD. Por fim, utilizando mutantes de ratinho com pele glabra ect\u00f3pica ou pele peluda ect\u00f3pica, verificou-se que os neur\u00f3nios que inervam as regi\u00f5es de pele ect\u00f3pica destes mutantes formam tipos de terminais (terminais de corp\u00fasculos lanceolados ou de Meissner) de acordo com o tipo de pele ect\u00f3pica.  <\/p>\n\n<p>Estes resultados apoiam um modelo de trabalho no qual os LTMRs embrion\u00e1rios TrkB+ e Ret+ podem formar corpos de Meissner ou terminais lanceolados, e que a regi\u00e3o alvo da pele controla diferentemente a matura\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica destes tipos de LTMR.<\/p>\n\n<h3 id=\"o-papel-da-dor-cervical-nos-doentes-com-enxaqueca\" class=\"wp-block-heading\">O papel da dor cervical nos doentes com enxaqueca<\/h3>\n\n<p>A dor no pesco\u00e7o (DN) tem sido documentada como um sintoma de enxaqueca associado a uma maior incapacidade. No entanto, existem poucos dados sobre a experi\u00eancia da NP na perspectiva das pessoas com enxaqueca epis\u00f3dica (EP). Uma pesquisa bibliogr\u00e1fica espec\u00edfica no PubMed investigou a rela\u00e7\u00e3o entre NP e EM [8]. Os adultos com EM clinicamente diagnosticada (5-14 dias\/m\u00eas) foram recrutados para participar em entrevistas para o inqu\u00e9rito conceptual. Os investigadores formados utilizaram um guia de entrevista semi-estruturado baseado nos resultados da revis\u00e3o da literatura. Foram feitas perguntas abertas para obter relatos espont\u00e2neos de experi\u00eancias de NP associadas \u00e0 enxaqueca e a sua ocorr\u00eancia temporal. Se os conceitos n\u00e3o fossem abordados espontaneamente, eram feitas perguntas espec\u00edficas. Os resultados da revis\u00e3o da literatura mostraram que a PN \u00e9 muito comum antes, durante e ap\u00f3s a fase de cefaleia da enxaqueca e est\u00e1 associada a um aumento do<em> \u00cdndice de Incapacidade do Pesco\u00e7o<\/em>. Vinte participantes completaram as entrevistas qualitativas; 65,0% referiram NP relacionada com a enxaqueca. A dura\u00e7\u00e3o da NP variava entre algumas horas e um dia. A maioria dos participantes descreveu a sua PN como tensa, r\u00edgida ou apertada. Estes resultados confirmam que a PN \u00e9 um sintoma inc\u00f3modo para as pessoas com EM e pode ser um resultado importante de um tratamento eficaz.<\/p>\n\n<h3 id=\"deficiencias-na-demencia-com-corpos-de-lewy\" class=\"wp-block-heading\">Defici\u00eancias na dem\u00eancia com corpos de Lewy<\/h3>\n\n<p>A compreens\u00e3o dos dom\u00ednios cognitivos espec\u00edficos associados \u00e0 incapacidade para as actividades da vida di\u00e1ria (ADL) na dem\u00eancia com corpos de Lewy (LBD)<strong> (Fig. 1)<\/strong> pode ajudar a identificar os doentes que necessitam de apoio adicional e que beneficiariam de interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas espec\u00edficas. Para este efeito, foram analisados os dados de testes neuropsicol\u00f3gicos de 207 doentes com LBD (incluindo dem\u00eancia com corpos de Lewy e dem\u00eancia de Parkinson) num registo neuropsicol\u00f3gico cl\u00ednico [9]. Todos os doentes foram avaliados quanto \u00e0 incapacidade em oito actividades de vida di\u00e1ria. Os doentes foram classificados como ligeiros, moderados ou graves. O desempenho nos testes neuropsicol\u00f3gicos diferiu significativamente entre os tr\u00eas grupos. Especialmente em testes de cogni\u00e7\u00e3o global, processamento visuo-espacial acelerado, fun\u00e7\u00e3o executiva acelerada e velocidade de processamento psicomotor. As compara\u00e7\u00f5es post-hoc mostraram que o grupo com limita\u00e7\u00f5es graves nas AVDs teve um desempenho significativamente pior nestas medidas do que os outros grupos de AVDs. As defici\u00eancias na condu\u00e7\u00e3o de um ve\u00edculo e nos cuidados pessoais foram associadas a um pior desempenho na constru\u00e7\u00e3o do curso parte A, na constru\u00e7\u00e3o do curso parte B e na velocidade de processamento psicomotor, em compara\u00e7\u00e3o com os pacientes sem defici\u00eancias nestas actividades. O desempenho da velocidade de processamento pode ser \u00fatil para prever limita\u00e7\u00f5es nas actividades de vida di\u00e1ria em pessoas com defici\u00eancia intelectual.<\/p>\n\n<p><\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-1160x904.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-359125\" width=\"580\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-1160x904.jpg 1160w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-800x623.jpg 800w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-120x94.jpg 120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-90x70.jpg 90w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-320x249.jpg 320w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-560x436.jpg 560w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-240x187.jpg 240w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-180x140.jpg 180w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-640x499.jpg 640w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23-1120x873.jpg 1120w, https:\/\/medizinonline.com\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/abb1_NP3_s23.jpg 1468w\" sizes=\"(max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n<h3 id=\"pml-em-foco\" class=\"wp-block-heading\">PML em foco<\/h3>\n\n<p>A leucoencefalopatia multifocal progressiva (PML) \u00e9 uma doen\u00e7a desmielinizante rara causada pela reactiva\u00e7\u00e3o do v\u00edrus JC e pela destrui\u00e7\u00e3o dos oligodendr\u00f3citos. O v\u00edrus JC tem uma preval\u00eancia elevada de mais de 80% na popula\u00e7\u00e3o adulta. A maioria das infec\u00e7\u00f5es \u00e9 assintom\u00e1tica, estando o v\u00edrus adormecido nos rins e nos \u00f3rg\u00e3os linf\u00e1ticos. Na imunossupress\u00e3o, o v\u00edrus pode multiplicar-se nas c\u00e9lulas gliais e espalhar-se para o c\u00e9rebro. A maioria dos casos \u00e9 fatal, embora a progress\u00e3o possa ser retardada pela reconstitui\u00e7\u00e3o imunit\u00e1ria. Um estudo descreveu agora um caso de PML rapidamente progressiva e o diagn\u00f3stico diferencial no envolvimento isolado do tronco cerebral [10]. Um doente na casa dos 60 anos apresentou quatro semanas de decl\u00ednio cognitivo crescente e dificuldades na marcha. Nos dez dias seguintes, o doente ficou cada vez mais sonolento e desenvolveu mioclonias generalizadas e sintomas bulbares. Foi detectado um t\u00edtulo de JCV de 478 000 c\u00f3pias\/ml no LCR, confirmando a PML. Devido \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o invulgarmente r\u00e1pida, foi considerada a hip\u00f3tese de um processo sobreposto, como a PRES ou uma s\u00edndrome de desmieliniza\u00e7\u00e3o osm\u00f3tica. Este diagn\u00f3stico diferencial foi apoiado pela RM inicial sem meio de contraste. A resson\u00e2ncia magn\u00e9tica com contraste mostrou um realce pontino irregular e consp\u00edcuo. O tacrolimus foi descontinuado sem melhoria e os n\u00edveis de s\u00f3dio mantiveram-se est\u00e1veis durante todo o internamento.  <\/p>\n\n<p>A PML \u00e9 classicamente encontrada em doentes com cancros hematopoi\u00e9ticos, infec\u00e7\u00e3o por VIH e terapia imunossupressora em receptores de transplantes. Tamb\u00e9m foi registada em associa\u00e7\u00e3o com a utiliza\u00e7\u00e3o de terapias monoclonais, doen\u00e7as auto-imunes e imunodefici\u00eancias prim\u00e1rias. A apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica caracteriza-se por uma deteriora\u00e7\u00e3o subaguda das capacidades cognitivas, ataxia da marcha e dos membros e d\u00e9fices visuais e motores. As imagens mostram tipicamente les\u00f5es confluentes da subst\u00e2ncia branca nos hemisf\u00e9rios cerebrais com ou sem realce pelo contraste. Em casos raros, a PML pode estar confinada ao tronco cerebral, caso em que devem ser exclu\u00eddas outras causas. Um quadro cl\u00ednico at\u00edpico e a aus\u00eancia de les\u00f5es cl\u00e1ssicas da MW devem desencadear investiga\u00e7\u00f5es adicionais em doentes com suspeita de PML para excluir outros diagn\u00f3sticos. A PML est\u00e1 a tornar-se mais comum \u00e0 medida que a preval\u00eancia aumenta nos doentes imunocomprometidos.<\/p>\n\n<p><em>Congresso: 75\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Academia Americana de Neurologia (AAN)<\/em><\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Literatura:<\/p>\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Satyanarayan S, Sand IK, Sumowski J: Serum neurofilament light chain association with progression independent of activity in people with early RRMS. Poster S9.005. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.-27.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Giordano A, Santoro S, Sorosina M, et al.: Genetic Variants in Iron Metabolism impact Disease Progression in MS through HIF1A. Poster S9.006. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Smith I, Valdes E, Torres J, Melmed K: Walk Your Dizzy Patients! Gait Assessment as a Screening Tool for Posterior Circulation Stroke. Poster S3.001. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Cubo Delgado E, Garcia-Bustillo A, Arnaiz A, et al.: Efficacy on Non-motor and Motor symptoms and Quality of Life using a multidisciplinary telemedicine program in high-risk fall patients with Parkinson\u2019s disease. Poster S32.003. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Hemminger L, Whitt W, Cawley S, et al.: Treatment Recommendations and Estimation of Toxicity in Older Patients with Glioblastoma. Poster P3.001. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Zhang V: Cross-disease Transcriptomic Analysis Elucidating the Roles of Astrocytic Signaling Pathways Regulating Neuroinflammation in Autism Spectrum Disorder. Poster S2.003. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Koutsioumpa C, Santiago C, Jacobs K, et al.: Skin-dependent morphological and molecular maturation of specialized mechanosensory neurons. Poster S34.005. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Blumenfeld A, Mordin M, Kosa K, et al.: Exploring the Experience of Neck Pain in Individuals With Episodic Migraine. Poster P3.004. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Desai N, Nawaz H, Mukhopadhyay N, et al.: Cognitive correlates of ADL impairment in Lewy body dementia. Poster P13.005. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n\n\n\n<li>Gates J, Izurieta MS: Fatal Isolated Brainstem Lesion in a Patient With Progressive Multifocal Leukoencephalopathy. Poster P13.005. American Academy of Neurology (AAN) Annual Meeting; 22.\u201327.04.2023.<\/li>\n<\/ol>\n\n<p><\/p>\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>InFo NEUROLOGIE &amp; PSYCHIATRIE 2023; 21(3): 20\u201323<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A quintess\u00eancia da neuroci\u00eancia para o s\u00e9culo XXI&#8221; foi o lema da reuni\u00e3o de anivers\u00e1rio da Academia Americana de Neurologia &#8211; e o leque de temas fez jus a este&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":359316,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"pmpro_default_level":"","cat_1_feature_home_top":false,"cat_2_editor_pick":false,"csco_eyebrow_text":"Neuroci\u00eancia","footnotes":""},"category":[11521,11374,11529,11551],"tags":[12325,68681],"powerkit_post_featured":[],"class_list":["post-359315","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-estudos","category-neurologia-pt-pt","category-relatorios-do-congresso","category-rx-pt","tag-esclerose-multipla","tag-neurociencia","pmpro-has-access"],"acf":[],"publishpress_future_action":{"enabled":false,"date":"2026-04-30 09:45:29","action":"change-status","newStatus":"draft","terms":[],"taxonomy":"category","extraData":[]},"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"wpml_current_locale":"pt_PT","wpml_translations":{"es_ES":{"locale":"es_ES","id":359319,"slug":"actualidad-hallazgos-innovadores-resultados-apasionantes","post_title":"Actualidad, hallazgos innovadores, resultados apasionantes","href":"https:\/\/medizinonline.com\/es\/actualidad-hallazgos-innovadores-resultados-apasionantes\/"}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359315","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=359315"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359315\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":362577,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/359315\/revisions\/362577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/359316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=359315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/category?post=359315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=359315"},{"taxonomy":"powerkit_post_featured","embeddable":true,"href":"https:\/\/medizinonline.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/powerkit_post_featured?post=359315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}